A vida é um dom primário e fundamental que deve ser respeitado desde a fecundação. Sem o respeito pela vida desmoronam os outros direitos humanos e a própria comunidade humana. A vida é original, única, irrepetível. O quinto mandamento ''não matarás'' é uma ordem de Deus que protege e defende a vida.
O feto é frágil, inocente e indefeso, depende totalmente da mãe. Por outro lado, o instinto materno é tão grande que a própria natureza humana tudo conduz com uma sabedoria que vem do Criador e estabelece um profundo vínculo físico, psicológico e espiritual entre mãe e filho. O aborto frustra todo este elã vital materno e decreta a pena de morte para um inocente.
O feto não é um aglomerado de células que pode ser destruído. Pelo contrário, é um ser humano, uma vida humana, um filho, uma pessoa. O embrião tem sua própria dignidade e o direito de se desenvolver e nascer. ''Ele'', um pronome pessoal, é alguém, é um outro, diferente do corpo da mãe e dela dependendo em tudo. Nunca o feto (embrião) é um membro do corpo da mãe. Ela não pode tratá-lo como um membro do seu organismo e dele desfazer-se quando bem entender. Quem embala um bebê, embala o futuro do mundo.
Aborto nunca pode ser um direito, porque é matar, eliminar a vida, destruir um ser humano que tem seu próprio direito de nascer e viver. O aborto também não é questão de ''saúde pública'', a não ser no sentido de proteger a vida do nascituro, amparar a gestante, oferecer condições de levar a gravidez até o fim. Saúde pública nunca é direito de matar o inocente e indefeso. Gravidez e maternidade não são enfermidades. Saúde pública é fechar clínicas abortivas, proibir venda de remédios abortivos, obrigar o pai biológico assumir sua responsabilidade paterna.
A vida é maravilha vocação e missão. É um desígnio eterno e amoroso do Pai. O primeiro útero que nos acolhe é o ''útero da SS. Trindade''. Nossa genealogia começa no coração do Pai. A glória de Deus é o ser humano vivente. Nosso zelo e cuidado com a vida inicia-se no útero materno e se estende a todas as etapas da vida. Por isso, incentivamos a Pastoral da Criança, do Menor, do Idoso, da Família e lutamos por condições de vida digna, ou seja, a saúde, o emprego, a escola.
Quem pratica, aconselha, colabora com o aborto ou faz leis abortivas comete uma ação tão grave que se afasta de Deus e da comunhão da Igreja. Pesa sobre estas pessoas a ''coerência eucarística''. Não lhes é permitido receber a eucaristia até porque caíram na penalidade da excomunhão. Toda essa severidade da Igreja quer alertar para a gravidade do aborto que está muito banalizado e facilitado. Impera uma mentalidade abortista nos meios de comunicação, na medicina e nos governos. Os que deveriam defender a vida assumem a ''cultura da morte''.
Temos centros de atendimento às gestantes e muitas vidas são salvas. Quem caiu no pecado do aborto, se arrepende, muda de mentalidade, confessa que errou gravemente, faz penitência e reparação recebe o perdão do Pai rico em misericórdia. Temos ouvido testemunhos tão tocantes de pessoas que abortaram e se arrependeram. Estas pessoas tornam-se profetas audazes contra a prática do aborto e aconselham as pessoas a não praticar este pecado.
Sérias pesquisas comprovam que o povo brasileiro é contrário ao aborto. Em 2007, graças à ação da Dra. Zilda Arns na Conferência Nacional de Saúde, o aborto foi derrotado. Nas comissões de Seguridade Social e Família e na de Justiça e Cidadania em 2008 sofreu nova derrota. Por outro lado, foi reconhecido o Estatuto do Nascituro e o ''aborto anencefálico'' não será legalizado. Diante destes fatos percebemos que uma minoria tenta impor a descriminalização do aborto. Queremos um ''Brasil sem aborto'' e pela cultura da vida.
DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina

mockup