Existe dentre tantas perguntas, uma que incomoda e não quer calar: por que a campanha de José Serra não consegue obter a vantagem que deveria ter sobre a campanha de Dilma Rousseff? São diversos motivos, mas vamos situar esta análise nos pontos cruciais.
De início não se consegue vislumbrar por que Dilma, sem ter carisma próprio, conhecimentos políticos profundos - e além de tudo com um passado sofrível, sem contar que está cercada por seus mal afamados amigos -, conseguiu chegar tão longe ao ponto de talvez ser eleita presidente do Brasil.
A resposta é óbvia, a falta de criatividade e capacidade dos coordenadores da campanha de Serra em mostrar simplesmente aos eleitores a verdade real dos fatos.
Eles não conseguem sequer se livrar de uma forma definitiva do fantasma de Lula que assombra os rumos do certame eleitoral e, por outro lado, não descobrem como ressuscitar o escondido ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que até poderia ser útil, caso fosse desde o início, de maneira frutífera, acoplado aos objetivos da campanha.
A arte da política nada mais é que a sedução do eleitor, quem detém melhores condições neste segmento, sempre se consagra vencedor.
Diante das peculiaridades do povo brasileiro, as receitas utilizadas pelos pseudo-especialistas em eleger candidatos, apenas funcionam, quando o fator sorte os abraça, eis que ao contrário caem por terra ou afundam em suas teorias ultrapassadas.
São gastos milhões de reais produzindo vídeos, panfletos, pesquisas, comprando votos de todas as maneiras sórdidas possíveis e imaginárias, enfim, verdadeiras fortunas jogadas fora inutilmente.
Nestas eleições, como em outras, saltam os recados de candidatos terríveis sobre qualquer aspecto, obtendo milhares de votos do eleitorado, e na maior parte das vezes sem gastar nem 3% do que seus adversários que não conseguem sequer chegar perto da vitória.
Assim resta provado de forma fática que o aparato sempre vendido muito caro dos marqueteiros da política são apenas produtos de venda aos incautos.
O eleitor vota absolutamente no candidato que ele, de inúmeras maneiras de convicção íntima, escolhe como seu preferido, dentre este rol de hipóteses, as de menor expressão, são as utilizadas pelos politiqueiros profissionais.
O candidato tem que demonstrar confiabilidade, sinceridade e principalmente dar ao eleitor a sensação de que ele se parece com alguém que o mesmo conhece e tem simpatia.
Outro fator preocupante é a fragilidade de nosso sistema, onde alguém que goza de prestígio junto ao eleitorado, no caso do presidente Lula, saca de sua cartola, qualquer tipo de pessoa, e a escolhe para ser o presidente do país. Agora, o pior de tudo está na possibilidade de que sua criatura, ou seja, Dilma, seja coroada semelhante ao que ocorria no passado, por indicação do rei.
A ciência da política não é exata, o eleitor tem pensamento próprio, da análise de tais características a conclusão lógica é de que caso Serra desde o início da campanha seguisse a trajetória que sempre demonstrou, ficando junto e ao lado do eleitor, falando com ele, olhando profundamente dentro de sua alma, teria sido eleito com larga vantagem desde o primeiro turno, mas como se perdeu, poderá amargar a derrota não para a candidata Dilma e Lula, que juntos pouco representam, mas estará perdendo para ele mesmo.
Com a palavra os espertos marqueteiros e especialistas na política do enriquecimento de suas contas bancárias.
CLÁUDIO GUIMARÃES é doutor em Direito Público, advogado e é professor da ESA/OAB do Paraná em Cornélio Procópio

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