A Educação Física pede socorro
Em uma aula de Educação Física dos anos 80 era comum o professor dar uma bola de capotão e mandar os alunos correrem atrás dela. E hoje, em pleno século 21, é diferente? Há um grito que ecoa desde os anos 90 no qual a Educação Física clama por ser reconhecida como área de conhecimento e não apenas como disciplina que ensina práticas esportivas. Mas de onde vem esse clamor e até onde pode ser ouvido?
Talvez, venha de dentro do templo do saber, a universidade; dos educadores da área que têm compromisso e acreditam que a Educação Física está para além do físico tão só ou venha ainda dos comprometidos com a formação de uma sociedade mais crítica e mais atenta ao desenvolvimento do ser humano.
Acredita-se que venha de todos esses cantos, mas onde se faz ouvir é uma resposta ainda muito difícil. Não há dúvida que é mais trabalhoso fazer pensar antes de agir ou fazer pensar a ação. Para tanto, o papel do professor de Educação Física torna-se um tanto complexo. Mesmo por que, quantos profissionais estão atentos a essa mudança, quantos têm aproveitado o pouco tempo para se reciclar, adquirir novos saberes, perceber que o tempo passou e a Educação Física também sofreu transformação?
Há um grito de socorro no ar que vai para além do aluno e deve atingir a todos os que se sentem chamados a promover a educação. E porque não dizer que ser educador mais do que profissão é uma missão que exige dedicação e responsabilidade. A Educação física também pede socorro.
CLEUZA MARIA IRINEU é professora da rede estadual de ensino em Londrina



Ainda aborto e crença em Deus
Cada qual tem o direito de crer em Deus ou não e de ser favorável ao aborto, mas neste Brasil qualificado de pátria do Evangelho e país mais místico do mundo não será necessário um referendo popular para saber-se que a maioria quase total não vê com boa-fé quem não acredita numa inteligência celestial suprema regendo todas as coisas. É no mínimo uma visão curta assistir a tudo que nos rodeia, na Terra e nos céus, e não imaginar que isto tenha um criador e regente.
Com relação ao aborto, há uma razão superior a considerar além da eliminação de um ser carnal. É - como enfoquei em artigo anterior - o impedimento da encarnação de uma alma, que é preexistente ao corpo. Ora, um corpo vazio não teria razão de ser, porque nem poderia existir sem o sopro divino que o sustém, e este se manifesta na alma. Esta é questão relevante mas dela poucos se ocupam, e nem as religiões, a não ser algumas doutrinas minoritárias.
Mães que praticam o aborto apenas por opção egoísta (a rejeição ao filho) têm direitos sobre o próprio corpo, mas consideram só o indivíduo carnal em formação e não o ser/essência que Deus ali instala simultaneamente. Assim, aniquilam o corpo (o envoltório) e expulsam a alma. Ignoram também que antes de aqui aportarem (eis que também preexistiam) elas se disponibilizaram a gerar. Há aí implícito um conflito entre o seu livre-arbítrio terreno posterior e o que haviam decidido antes. Corpo e alma se necessitam, mas é na alma que está a vida - centelha de Deus. (Não somos daqui e nem de agora, e o esquecimento dos acordos é para que se opere o mérito dos nossos sacrifícios, doações e sofrimentos).
Aborto e crença em Deus não são excludentes numa campanha eleitoral, porque têm a ver com nossa formação cristã e com nossos valores maiores, que são os espirituais.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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