ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
sábado, 23 de outubro de 2010
Dom Orlando Brandes 
O povo brasileiro sempre se posicionou contra o aborto. Em nossos dias isso se torna ainda mais claro. Não se trata de uma questão apenas eleitoral porque, em qualquer pesquisa ou consulta popular, o aborto não tem alcançado aprovação. Os políticos brasileiros precisam se render a esta realidade. Basta o povo saber que um candidato é abortista já não recebe votos. Isso faz parte da nossa história. O Estado é laico, mas o povo é religioso. A Nação brasileira é religiosa.
Ultimamente as propostas abortistas que geralmente são iniciativa de uma minoria, têm sofrido derrotas. Na XIII Conferência Nacional da Saúde, na Comissão de Seguridade Social e Família, na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, o aborto foi rejeitado. Ultimamente tivemos a aprovação do Estatuto do Nascituro e a desaprovação do aborto de fetos anencefálicos. A verdadeira ciência, as autoridades competentes e o povo têm desaprovado o aborto. Ética na política é também defender o nascituro.
As pesquisas do Instituto Datafolha e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) comprovaram a rejeição do aborto por parte dos entrevistados e aprovação da família como primeiro valor da nossa existência. A família tirou o primeiro lugar. Ela tem mais importância que o dinheiro, a saúde, o trabalho na vida das pessoas.
Os partidos e candidatos que têm projetos e planos de promoção da vida, da justiça, da cidadania, dos direitos humanos, da ecologia, mas que não respeitam a vida desde a concepção e promovem a discriminalização do aborto, não têm aprovação popular em nossa sociedade.
Ouvimos altos dignitários afirmarem que são contra o aborto, mas defendem sua prática como uma questão de saúde pública. Estão enganando a sociedade. Saúde pública não pode ser licença para matar vidas inocentes e indefesas. Saúde pública é fechar as clínicas abortistas, dar proteção às gestantes, legislar sobre o pai solteiro, educar para o amor, promover a família e proibir a venda da pílula do dia seguinte. Não podemos em nome da vida salvar ovos de tartaruga para preservar essa espécie e decretar a eliminação do feto, do embrião, do ser humano, no útero materno.
Uma grande promotora da vida intrauterina foi a Dr Zilda Arns, de saudosa memória. Ela privilegiou a vida do embrião, da criança e do idoso. Precisamos cuidar da vida em todas as etapas, mas a vida do feto e a do idoso é a que sofre mais ameaças de morte. Tudo indica que não tem lógica a promoção da ética social e o desrespeito pela ética pessoal. O nascituro tem dignidade e direito de nascer. Negado o direito à vida, caem todos os direitos e instituições. O direito à vida é primário, inalienável, fundamental.
Numa sociedade erotizada a legalização do aborto é uma bandeira e até um sinal de modernidade e de liberdade, mas na realidade é um incentivo à ''cultura da morte''. Nosso combate é sim contra a fome, a miséria, as desigualdades sociais, a violência. Por isso mesmo colaboramos nas programas de doação de órgãos, de sangue, de medula óssea, de prevenção à Aids, ao câncer de mama, à dengue, etc. Tantas campanhas da fraternidade privilegiaram a vida humana e a ecologia, o meio ambiente. Repetidas vezes a Igreja no Brasil se posicionou claramente contrária ao aborto. É o compromisso com a vida.
Vamos pois eleger a vida desde a fecundação até seu fim natural, sem descuidar todas as outras etapas. Vida sim, aborto não.
DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina


