ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Wilson Oliveira Trindade<br>Walmor Macarini 
Hipocrisia tem limites
Seria Dilma Rousseff ateia e José Serra ministro de eucaristia? Um faz de conta que é contra o aborto, o outro a favor e vice-versa. Desculpem-me os dois, mas não é tema de discussão política: tanto os eleitores de Serra como os de Dilma, uns são contra e outros a favor. São linhas de pensamentos que envolvem valores éticos e morais de um lado, e fatores de ordem científica de outro, que são colocados frente a frente, impondo uma discussão que, em certos momentos, alcança as esferas mais elevadas dos dogmas, das crenças e dos preceitos sobre a natureza da vida e da morte.
Há casos em que se deve preservar a integridade do feto ou da mãe; ou no caso de estupro, etc. Portanto, não há como separar a situação em dogma - a anomalia de um feto que sobreviverá no máximo 48 horas - da abordagem exógena, em cujo interior se situam as estruturas e os padrões culturais da sociedade e suas vivências éticas, morais e religiosas.
O direito à vida, de acordo com preceito que o atribui à Mão divina, é fundamento que merece todo o respeito. Mas dentro dos parâmetros de respeito e solidariedade que precisamos. O que deve prevalecer é o direito de liberdade de decisão, direito ao livre-arbítrio da mulher. A preservação da autonomia da vontade, ainda que balizada por limites de índole científica que conformem a inviabilidade da vida extrauterina por falta de solução médica, constitui o meio termo entre os justos e legítimos direitos da mulher e os do feto. A hipocrisia é imperativo em nossa sociedade, caso contrário não teríamos dois milhões de pessoas assinando abaixo-assinados em todo o país em prol do projeto de Lei da Ficha Limpa e, em contrapartida, mais de cinco milhões de votos sufragados em favor dos fichas-sujas no último 3.
WILSON OLIVEIRA TRINDADE é bacharel em Direito em Londrina
Comoção purificando 'astral' terrestre
A comoção que envolveu a humanidade pelo resgate dos mineiros chilenos gerou uma tão poderosa vibração positiva que elevou o grau de purificação do ''astral'' terrestre. Quando acontece uma sinergia de sentimentos como a da semana passada, dissemina-se uma potente carga vibratória que dissipa a camada densa de energia que circunda a superfície do planeta. Essa densidade origina-se de mentes poluídas pelas ambições, competitividades e maledicências. Mas quando a humanidade é tocada por uma forte emoção, luzes resplandecem iluminando a Terra, e um fogo purificador vai queimando impurezas e higienizando o ambiente planetário. Isto tem o vigoroso poder de uma prece conjunta de milhões. Tal corrente se irradia por toda a parte, interagindo beneficamente sobre todas as coisas.
Esses dias memoráveis em que a solidariedade foi tão sublimada, propagando-se a partir do deserto do Atacama, certamente levaram muitos à reflexão. A mão divina às vezes mergulha em profundidade para despertar os corações dos homens e assim resgata e traz à superfície virtudes que estavam latentes dentro deles. Os 33 mineiros, pela coragem e união que demonstraram em circunstância tão adversa e que poderia levá-los ao desespero e à loucura, deram uma lição ao mundo, revelando resistências humanas desconhecidas e que muitas vezes só se manifestam em situações extremas. E assim, eles e a legião de socorristas atestaram que sempre há saídas, mesmo que estreitas, para os sufocos e as horas de escuridão.
O Chile nos proporcionou um espetáculo de amor, fé, confiança, doação incondicional, competência e tecnologia. Homens unidos por uma causa comum, como de anjos que descem à Terra para nos dar idêntico socorro em ocasiões difíceis, nos resgatam e nos levam de retorno para junto deles.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina


