ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 06 de outubro de 2010
Milton Ruíz<br>Walmor Macarini 
Valor não se mede pela idade
A pena de morte é certa ou errada? A resposta a essa pergunta envolve juízo de valor. Os valores, de acordo com o dicionário Aurélio, são ''as normas, princípios ou padrões sociais aceitos ou mantidos por indivíduo, classe, sociedade'', sendo um elemento de julgamento embasado no que a pessoa acredita ser bom e correto. Os valores individuais refletem os próprios valores da sociedade em que a pessoa foi criada, sendo uma ajuda valiosa para explicar o comportamento.
No trabalho de gerência de duas concessionárias de automóveis, observei que funcionários na faixa dos 50 a 60 anos tendem a aceitar melhor a autoridade e responsabilidade do que aqueles dez ou 15 anos mais jovens. Já os que estão na casa dos 30 anos tendem a se rebelar contra trabalhos nos finais de semana, por exemplo, e têm maior probabilidade de largar a carreira na metade para buscar outra que lhes ofereça mais tempo de lazer.
Outro aspecto fundamental no ser humano - não importa a ''quilometragem rodada'' - é a busca constante da aprendizagem. Ela é um aspecto determinante no capital humano, como se fosse sua assinatura e envolve expectativas, rituais, tabus, recompensas e punições da sociedade capitalista. É importante medir o efeito da performance humana e não a idade para manter sua empresa em posição viável no mercado. O verdadeiro valor de um colaborador não está nos cabelos brancos, mas na capacidade de otimizar os resultados de seus clientes na operação comercial. Como já disse Soichiro Honda, fundador da Honda, ''a jovialidade não está relacionada à idade cronológica, mas à capacidade de aprendizagem, objetivos e realizações''.
MILTON RUÍZ é gestor comercial em Londrina
O pecado de maltratar animais
Cada vez mais o homem vem tomando consciência de que não deve maltratar os animais. Mas é ainda aterradora a tortura a que eles são submetidos, principalmente os de abate para consumo humano e os que puxam cargas e arados e tocam moendas. A revista Veja acaba de enfocar o assunto, mostrando a crueldade do homem com esses nossos coirmãos. Sim, coirmãos, como os entendia Francisco de Assis.
Cavalos sobem ladeiras com pesados carregamentos, levam açoites e ficam horas sem água e alimento, às vezes em sol escaldante. Carneiros e cabritos são mortos por degola, sem prévia sedação. Bovinos são abatidos a golpes na cabeça, nem sempre certeiros, por isso repetidos. Galinhas poedeiras ficam sempre no claro, para pôr mais ovos, e espremidas em gaiolas. Gansos são alimentados à força para que seu fígado adquira dez vezes o tamanho original e se transforme em patê de ''foie gras''. Vitelos são confinados em espaço exatamente do seu tamanho e com a cabeça presa. Para não haver perda de crias, porcas são colocadas em pequenos cercados, não podendo mudar de posição. Certas pesquisas científicas com animais são torturantes.
Não se sabe como é hoje, mas nos abatedouros de cavalos (já velhos e imprestáveis para uso) suas patas eram cortadas, com eles vivos, para escorrer o sangue e assim melhorar o sabor da carne, apreciada pelos importadores. Felizmente as associações de proteção aos animais agem, até onde possível, e nos EUA e na União Europeia está em curso a mudança de leis para eliminar esses sofrimentos.
No Brasil a lei determina que os animais sejam sedados antes do abate, mas no campo e onde a fiscalização é omissa ou corrompida isto não é respeitado. Se cuidamos dos nossos iguais humanos, temos o mesmo dever com os animais. Por maltratá-los, acumulamos pesados carmas que, em dado momento, teremos de resgatar.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina


