ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
domingo, 03 de outubro de 2010
Carlos Alberto Chiarelli 
Utilizada em diversos países desenvolvidos, a Educação a Distância (EAD) vem crescendo consideravelmente ao longo dos anos no nosso país, beirando hoje a expressiva cifra de três milhões de alunos.
Dados do Ministério da Educação (MEC) mostram que um em cada cinco novos alunos de graduação no país ingressa em um curso a distância, ou seja, 20% dos universitários já estuda utilizando-se rotineiramente de aulas na internet e/ou em polos presenciais.
Os dados apontam avanço da modalidade. E não poderia ser diferente. Com a dificuldade de acesso ao ensino presencial devido às dimensões geográficas e as desigualdades sociais do Brasil, a EAD contribui, fortemente, para a instrumentalização e uma nova sistemática que ajude nossa população a buscar um melhor papel na sociedade.
Mesmo assim, desavisados e desinformados insistem em dizer que o Ensino a Distância é de menor qualidade, utilizado por quem não dispõe de tempo para frequentar um curso regular.
Ideia totalmente incorreta. Analisando o contexto, constata-se o crescente sucesso da EAD. Sabe-se que apenas 11% da expressiva população da classe C, no Brasil, frequenta faculdades.
Portanto, um majoritário contingente, sobretudo de jovens, que pelo seu limitado poder aquisitivo está incapacitado de fazer frente às mensalidades dos cursos presenciais, vê-se afastado do processo de saber mais e ganhar mais.
Não é de hoje que a necessidade de uma formação se tornou imprescindível para alguém conquistar cada vez mais destaque no mercado de trabalho. No entanto, versão preliminar de um relatório do Ministério da Educação revela que, na última década, os avanços em sala de aula foram bem mais lentos do que o esperado.
Os números que compõem o Plano Nacional de Educação mostram, entre outros fatores, elevadíssimos índices de repetência. A meta para este ano era chegar a 10%, mas a repetência estacionou, preocupantemente em 13%, como em alguns dos mais atrasados países africanos.
Outro problema é a alta evasão escolar. De 2006 a 2008, o porcentual de estudantes que abandonou a sala de aula pulou de 10% para 11%, quando o objetivo era baixar a taxa, nesse mesmo período, para, pelo menos, 9%.
Claro que o objetivo de todos é melhorar a qualidade da educação no Brasil. Mas esta ação não vem sendo bem sucedida se analisarmos a potencialidade das ferramentas que poderiam ajudar a acelerar esse passo.
O Ensino a Distância também se impõe pela sua simbiose com a tecnologia. No ensino tradicional, o aluno depende da dinâmica do professor e o tempo básico de aprendizado é o da rotina das aulas, nas quais, em geral, dispõe-se de pouquíssimos recursos audiovisuais na sala de aula.
Na EAD, se a compreensão do conteúdo não for plena, pode-se ''voltar à aula'' quantas vezes for necessário para entender o conteúdo. Isso sem mencionar o professor online, o encontro presencial e tantas outras práticas comuns em tal metodologia, o que, além de prático, é intelectualmente eficiente, colocando a educação à disposição do estudante, e não este, daquela.
CARLOS ALBERTO CHIARELLI é ex-ministro da Educação, doutor em Direito e presidente da Associação da Cadeia Produtiva de Educação a Distância


