Numa democracia representativa o cidadão comum não decide diretamente. Ele delega poderes para seu representante eleito decidir, por exemplo, sobre as prioridades da destinação dos recursos arrecadados pelo governo ou decidir pelo conteúdo de determinada lei. Se o cidadão considera a segurança pública importante, mas ela não é eficiente, é porque o Executivo que elegeu (prefeito, governador ou presidente) não está trabalhando como deveria, nem priorizando as ações que considera importantes. Ou ainda se o eleitor é contra o aborto, não deve votar em candidato cujo programa do partido seja favorável à descriminalização do aborto. O candidato pode discursar com empolgação a favor da vida, mas se o partido fecha questão a favor do aborto, poderá ser expulso, como aconteceu recentemente.
A campanha política na TV é importante para auxiliar a escolher um candidato, mas requer espírito crítico do cidadão que deve desconfiar de candidatos recauchutados pelo marketing. Estes apresentam projetos grandiosos para resolver todos os problemas, mas sua capacidade administrativa é pouco conhecida e sua atuação pregressa é fraca. Há outros recursos que ajudam o cidadão a escolher em quem votar: a ''Cartilha de Orientação Política'' proposta pela CNBB, disponível no site www.cnbbs2.org.br.
A imprensa e o Ministério Público têm contribuído bastante para a população conhecer nossos políticos. A Lei da Ficha Limpa é uma conquista, mas poderia ajudar muito mais se a redação original não tivesse sido alterada. Assim, ainda é possível um ficha-suja ser candidato. Na região de Londrina há vários candidatos com pendências na Justiça. Inclusive sendo apoiados por setores de igrejas cristãs, as quais ajudaram na coleta de assinaturas que tornou possível a criação da Lei da Ficha Limpa. É uma inconsistência. Ou seria desinformação? Mostrariam mais ética se esses fichas-sujas resolvessem os problemas com a Justiça para depois se apresentarem à sociedade como candidatos.
Você tem certeza que seu candidato está limpo perante a Justiça? Se não, procure informações sobre a vida pregressa dele. Há vários sites que facilitam o voto consciente: no site da Transparência Brasil (www.excelencias.org.br) é possível verificar a variação do patrimônio do candidato, suas faltas ao trabalho, quem está financiando sua campanha política, como ele votou em cada matéria no Congresso. Alguns sites pertinentes: www.votoconsciente.org.br; www.gestaopublica.org.br; www.congressoemfoco.uol.br; www.amb.com.br, entre outros. Também há uma publicação no Youtube - ''O Paraná que queremos'' - com a divulgação dos deputados estaduais que estão acobertando os escândalos na Assembleia Legislativa do Paraná e querem seu voto para se reelegerem!
Sobre novos candidatos há maior dificuldade para obtenção de informações. Mas é importante a renovação, bem como votar em candidatos da região. Recomenda-se votar em candidatos que o eleitor conheça pessoalmente a vida pregressa, o trabalho comunitário já desenvolvido, participação em movimentos da sociedade, os valores que defende.
Outra questão importante é a sociedade se organizar para acompanhar o trabalho dos eleitos e assim ter informações que tornem mais fácil a escolha dos candidatos na próxima eleição. Esta organização ainda é frágil em Londrina e no Paraná. A ONG Transparência Londrina vem atuando junto à Câmara de Vereadores e oportunamente divulgará resultados para que o londrinense conheça mais acerca do trabalho de cada vereador, bem como da disposição da Câmara em pautar pela transparência. Todo cidadão consciente é chamado a participar ativamente desde já.
OSWALDO CALZAVARA e INÊS WOLFF são diretores da Transparência Londrina

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