ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Antonio Aparecido da Silva<BR> Walmor Macarini 
Um Brasil chamado Cuba
Cuba tem um governo vermelho, que gerencia o país com exército armado, Lula também tem. Cuba tem cotas de alimentos, combustíveis entre outros bens e serviços essenciais aos quais os cubanos podem consumir, e tem filas. Lula também tem cotas, uma espécie de ''dízimo'' que todos os simpatizantes do PT devem recolher. Cuba coíbe a imprensa consegue mantê-la calada em relação aos absurdos que aquele governo praticava. Por aqui Lula está tentando colocar isso em prática. Fidel tinha um exército de adoradores, Lula também é adorado por uma multidão, em especial aqueles que recebem os excessos de assistência social e alguns intelectuais.
Devido à intransigência, à violência e à falta de democracia de Fidel, Cuba se espatifou e entrou numa das piores crises já vistas se transformando num país problema da América Latina. Mas uma multidão de adoradores de Fidel ainda hoje acredita que Cuba está melhor e que nada de ruim aconteceu. No Brasil isso ainda não ocorreu, embora o governo Lula afirme que eles suportaram as crises e administraram com maestria, muitos sabem que não é verdade. O Real mais forte, a moeda mais estável bem como os ''bolsas isso'' ou ''bolsas aquilo'' Lula pegou do governo anterior e apenas ampliou muito isso.
Fidel envelheceu, adoeceu, hoje aparece na TV fraco e pequeno em relação ao que foi no passado, mas Lula ainda está jovem, tem saúde e consegue governar o Brasil mais uns 20 anos. Já foram oito anos, e se Dilma Rousseff vier a ser presidente, serão doze e em 2014 Lula volta, e teremos um número bem maior de adoradores dele. Se as coisas seguirem por este rumo, creio que daqui dez ou 15 anos será bem melhor morar em Cuba.
ANTONIO APARECIDO DA SILVA é publicitário em Londrina
Os ditadores ocultos da esquerda
As grandes democracias se alicerçam na preservação das liberdades. Sem liberdade de expressão, de reunião e de mobilização não há democracia. Ela também não vigora onde não existe divisão proporcional das riquezas. A Inglaterra primeiro e depois os Estados Unidos (seguindo-lhe os passos) estribaram-se nesses princípios e até hoje são as nações mais democráticas do mundo.
Mas estes fatos, plantados solidamente na história, não são modelo para o governo brasileiro pelas múltiplas deformações do regime instalado e seu propósito de controlar a imprensa, como se esta já não tivesse uma regulamentação legal. O discurso petista é que no Brasil há excesso de liberdade de imprensa, mas o que existe de fato é excesso de petismo e muita corrupção em setores do poder - histórias vergonhosas que se sucedem, uma atrás da outra. Por isso, o empenho governamental em não permitir a difusão dessas coisas.
Felizmente os veículos de comunicação vão revelando com desassombro o quadro desolador das podridões. Não se sabe até que ponto isto sensibiliza os cidadãos. Veja-se o fenômeno das pesquisas. Regimes de direita e de esquerda são idênticos e alimentam o mesmo anseio de controle e manipulação da opinião pública, de forma a mantê-la desinformada acerca do que não lhes convém.
No Brasil a democracia ainda não é tão sólida, porque o governo manda e desmanda, fere com discursos vazios a sensibilidade dos cidadãos esclarecidos, é esbanjador e tem forte componente de corrupção. Não fosse verdadeira a frágil democracia, não germinariam as tentativas de calar a imprensa - primeiro passo para escaladas maiores de dominação. Dê-se mais fôlego aos que estão agora no comando e desejam continuar nele, e será preciso reforçar as legiões de vigilância e resistência.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina


