ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Douglas Eduardo Queiroz<br>Walmor Macarini 
Preconceito aos ateus
Em qualquer momento da história da humanidade é possível perceber diversos casos de preconceitos às minorias (mulheres, judeus, negros e gays). Após vários movimentos, estes grupos obtiveram êxito em reduzir o preconceito. Porém, um dos grupos que atualmente mais sofre com preconceitos são os ateus, como exemplificou pesquisa da revista Veja (edição 2040 de 26/12/2007): 84% das pessoas votariam num negro para presidente, 57% numa mulher, 32% em homossexual e apenas 13% votariam num ateu.
Dizem que os ateus são pessoas más e que não possuem amor no coração. Citem dez ateus convictos que fizeram mal à sociedade. É fácil, porém, listar ateus que exerceram forte influência no mundo: Galileu Galilei, Thomas Edson, Sigmund Freud, Henry Ford, Bill Gates, Santos Dumont, entre outros. Vejo com tristeza expressões como ''você é tão inteligente, pena que é ateu'' ou ainda ''ele inventou tal coisa, tão maravilhosa, mas é ateu''.
Nós, ateus, não somos a culpa do caos do mundo. Quantas guerras santas tivemos nos últimos séculos? Cruzadas em prol das igrejas, matança em nome de Deus, padres e pastores pedófilos? É a falta de Deus que provocou isso? Creio que não. O que leva uma pessoa a cometer crimes, não é o fato de acreditar ou não em Deus, é questão de caráter e de conhecimento. Solidariedade, respeito, fraternidade, são qualidades morais e éticas da vida humana e não divina. São aspectos que independem da religião, cor, credo, opção sexual, poder aquisitivo que são inerentes à natureza humana. Portanto, não julguemos as pessoas com preconceitos. Um ateu pode ser tão bom e inteligente quanto um religioso.
DOUGLAS EDUARDO QUEIROZ é administrador em Londrina
Enfim um candidato sincero
Como já escrevi em outra ocasião, eu consideraria um candidato sincero aquele que dissesse:
''Tenho baixa formação política e não estou entrando nesta por espírito público mas pelo poder, pelo bom emprego e pelas muitas regalias do mandato. Não acreditem que cumprirei todas as promessas, e não confiem que serei honesto, porque minha resistência ainda não foi testada e não conheço meu limite. Se puder, não me furtarei de apresentar bons projetos, porque meu nome será evidenciado e assim terei mais chance futura de reeleição.
Não prometo que não empregarei parentes e amigos, porque será difícil dizer-lhes não. É bastante provável que irei me compor também com os adversários políticos, porque poderei precisar deles. Vocês sabem que o meio onde pretendo ingressar não é a melhor das escolas, embora não possa negar que haja ali alguns bons. Fazer campanha é cansativo e dispendioso e terei de me ressarcir dos gastos. Se eu for um estranho no ninho serei sabotado e meus eventuais projetos nem entrarão em pauta.
Sei que, chegando lá, serei atraído a saber onde estão as bocas das minas. Não asseguro, portanto, que não farei trambiques. Com tanto dinheiro e chances desfilando à minha frente, como garantir que não serei tentado? Se eu fosse um tribuno brilhante, bom conhecedor dos problemas brasileiros e do meu Estado e com moral inquebrantável, portanto, um líder respeitável, me imporia por esses atributos e me bastaria o poder. Mas como não sou isso, terei de investir em outras vocações minhas e ser voto aproveitável para o grupo, que assim também serei favorecido.
Os articuladores de mensalões e afins logo identificarão meu perfil, e serei assediado. Portanto, não lhes asseguro que exercerei o mandato com total transparência, pois se eu revelar tudo serei cassado por confissão pública de improbidade... Resumindo, vida de político é boa demais e pelo voto de vocês estou querendo entrar nela''.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina


