A melhor cidade do mundo
Após anos de desencantos com Londrina, envergonhado com as repercussões negativas dos escândalos políticos (AMA/Comurb, venda da Sercomtel, prisão de vereadores, etc.) e passado o período de letargia administrativa onde a construção de um viaduto levava tempo suficiente para construir uma nova Brasília, voltei a ter orgulho de ser londrinense. Voltei a reagir como fazia na infância, naqueles dias de verão no litoral onde encontrava garotos de outras localidades e tentava convencê-los de que Londrina é a melhor cidade do mundo. Redescobri a Londrina que havia desaparecido de minha consciência. O duro é que para isso precisei de publicações em revistas, baseadas em dados levantados por quem não é daqui.
Precisei ter acesso a pesquisas que demonstram o potencial de nossa cidade quando comparada a outras de mesmo porte. Foi preciso abrir o jornal e me deparar com a notícia da construção de um novo shopping center para perceber que as pessoas que não são daqui viam uma Londrina bem melhor que aquela que eu concebia. Passei a entender melhor o exemplo de meu pai que aqui chegou aos 16 anos e, sempre apaixonado por esta cidade, trabalhou e educou seus filhos no caminho do bem. É bom demais tirar a venda dos olhos, esquecer as mazelas do passado recente e voltar a se apaixonar por esta terra. Agora é não deixar que os problemas escondam as qualidades. É exercitar cidadania. Contribuir com soluções, com trabalho, honestidade e, principalmente, com amor de filho desta cidade. Só queria poder partilhar isso com outros londrinenses que também deixaram de se orgulhar de Londrina, a melhor cidade do mundo para se viver.
ROGÉRIO SILVA BERNARDI é advogado em Londrina



Um triunfo sobre a morte

  Pesquisa relâmpago de domingo do programa do Faustão foi apenas uma amostragem, mas revelou que dos internautas que se manifestaram 81% acreditam na reencarnação. Foi durante entrevista com atores da novela de conteúdo espírita, da TV Globo, e no momento em que está nos cinemas o filme ‘‘Nosso Lar’’, da mesma natureza. Já a revista Veja desta semana tem outros números: 37% dos brasileiros que ouviu creem e 44% não. O restante são indecisos.
  É certo que, se tantas religiões não aceitam o princípio dos retornos à vivência terrena, o mesmo não ocorre com muitos dos seus fiéis. À medida que novelas, teatro, cinema, livros, infovias e reportagens enfocam cada vez mais esse tema, eles já não temem as zombarias que eram frequentes em outros tempos. As pessoas querem respostas a certas indagações, e se não as encontram em suas igrejas vão buscá-las em outras fontes. Crer ou não é do livre-arbítrio, mas é inegável que a ideia da reincorporação veio explicando muitas coisas até então incompreendidas. Não se pode conceber que, logo após o desenlace carnal, iremos imediatamente para um lugar de delícias celestiais ou para um caldeirão ardente. Uma estalagem de recuperação (como um purgatório) e a chance de revivências na Terra parecem mais consonantes com a misericórdia divina.
  Pode haver uma razão para os descrentes da reencarnação: seria um bloqueio providencial para assim operar-se o mérito de seus carmas ou missões. Ou pode ser uma presunção de quem se julgue perfeito e já pronto para, ao sair desta, entrar diretamente no paraíso - um privilégio de raríssimos homens santos. A lei dos recomeços é defendida como a oportunidade de redenção para os que partem cheios de imperfeições morais. Não é uma punição mas benesse divina. Um triunfo sobre a morte.

WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

mockup