ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Luiz Figueira de Mello 
No momento em que Londrina se torna objeto da mídia nacional em função de suas características sociais e econômicas, faz-se necessário refletir sobre a gestão do território, visando seu desenvolvimento futuro.
Infelizmente, os ativos ambientais que nos melhor diferenciam não foram devidamente abordados. A cidade de Londrina tem 84 córregos na área urbana, geralmente margeados por vales verdes que servem como área de preservação permanente e para a infiltração de água das chuvas.
Ao longo do seu crescimento, Londrina construiu um sistema de saneamento com tratamento e coleta de esgoto, disponibilizou água potável e tratada e, em certa medida, instituiu um sistema de coleta seletiva de resíduos sólidos, tornando a cidade referência nacional em muitas questões ambientais.
As reportagens recentes demonstram que Londrina não pode ser analisada independentemente da região onde se localiza. A unidade de planejamento desta metrópole deverá ser repensada, pois esta que foi constituída está defasada e desatualizada diante do grande desafio de gestão territorial por bacias hidrográficas.
A falta de critério técnico para a ampliação da Região Metropolitana de Londrina tem dificultado a sua implantação e desenvolvimento. Cidadãos comprometidos com a região estão realizando grande esforço para implantação do Programa Ecometrópole na Região Hidrográfica de Londrina, que corresponde ao território do Baixo Tibagi.
Justifica-se este esforço pelas implicações que têm, por exemplo, o controle da poluição em nossos rios urbanos, cujas nascentes se localizam em municípios vizinhos. Não é possível pensar a solução dos problemas ambientais sem que se considere a região a partir desses critérios regionais.
No entanto, a gestão a partir das bacias hidrográficas parece ser desconhecida pelos nossos deputados e governantes que não levaram este tipo de ordenamento em conta por ocasião da constituição da região metropolitana e sua recente alteração.
Os novos deputados e o novo governo do Estado deverão se inteirar das leis existentes e implantar nova base territorial, com a participação ativa de todos os municípios que compõem a Região Hidrográfica de Londrina. Por exemplo, deixar Arapongas e Apucarana de fora da Região Metropolitana de Londrina é um contrassenso. Existem motivos de sobra para essa inclusão: a própria conurbação existente e as relações institucionais necessárias à gestão de problemas comuns do nosso território, nesta grande metrópole de cerca de 1 milhão de habitantes, que se estende de Jataizinho a Apucarana.
Convidamos a todos, novos e antigos deputados, novo governo do Estado e instituições, como a Coordenadoria da Região Metropolitana de Londrina, a se engajarem com vigor no programa multinstitucional de gestão compartilhada, e de promoção da ecocidadania que está sendo implantado a partir de Londrina. Caso não o conheçam, os convidamos a navegar no http://www.ecometropole.org. Ali encontrarão dados, fotos, vídeos e informações sobre os pressupostos que embasam um programa fundamentado nas mais modernas técnicas de gestão do território. Um programa que considera a região a partir de suas águas e as tem como indicador de desenvolvimento, fazendo do meio ambiente o principal orientador do ordenamento regional.
Londrina pode ser referência como ecometrópole, onde o cuidado com o meio ambiente convive com o desenvolvimento urbano. Vamos fazer a nossa parte, contribuindo para melhorar o lugar onde vivemos.
LUIZ FIGUEIRA DE MELLO é presidente do Instituto Ecometrópole em Londrina


