A ética pode ser definida como sendo um ramo do saber que reflete sobre a ação humana e que tenta identificar os princípios práticos reguladores dessa ação. É importante, portanto, compreender a necessidade de uma melhor valorização de tais princípios como meio para atingirmos uma sociedade mais justa e íntegra. Nesse contexto, buscaremos compreender que a ética e a cidadania têm uma importância indiscutível para o bom desenvolvimento de qualquer sociedade. A ética trabalha diretamente com a responsabilidade do ato moral-social, porque toda tomada de decisão ''implica em um problema teórico-ético, que verifica a liberdade ou o determinismo, a qual nossos atos estão submetidos'', como afirma a escritora Rosângela Alves.
Compreendendo a origem e a aplicação da ética e da cidadania no contexto social, é possível analisarmos em que direção o nosso país está caminhando. Assim, é imperativo que estejamos capacitados para discutir e refletir sobre a importância que a ética e a cidadania têm na construção de uma sociedade sadia e igualitária. Entretanto, isso somente é possível, por meio do entendimento de conceitos teóricos de níveis sociais, como a política, ética, cidadania e a sua aplicação e implicações diretas com o nosso país.
O momento histórico em que vive a sociedade brasileira, e por que não dizer o mundo, em que a todo instante os meios de comunicação anunciam a necessidade de termos uma comunidade mais igualitária. Percebe-se que o universo tem acordado para essa compreensão. Mas nada acontecerá sem uma conscientização, com objetivos definidos e uma participação efetiva da população. Porque ser cidadão é ser pessoa, ''é respeitar e participar das decisões da sociedade, para melhorar suas vidas e a de outras pessoas''.
Infelizmente, a ética está em falta em nosso meio. Empresas, imprensa, escolas e governos valorizam cada vez mais pessoas que se importam mais com o ter do que com o ser, desrespeitando o multiculturalismo e a singularidade do ser humano.
Espanta-me mais ainda quando a falta de ética acontece em ambientes educacionais, ditos formadores de profissionais qualificados, éticos e responsáveis pela transformação da sociedade, onde muitas vezes não há uma comunicação direta, deixando-a explícita nas atitudes e gestos, contrapondo-se ao que pregam na teoria. Como assevera a escritora Marie-France Hirigoyen, ''é uma maneira de dizer sem usar palavras'' aquilo que não se tem capacidade de abordar diretamente.
O discurso sempre se repete: agir com ética, usar a cidadania, mas na prática o que muitas vezes percebemos são incoerências descabidas, recusa à comunicação direta, abuso de poder, desrespeito ao ser humano, provocando a autodestruição de uma sociedade e, por não dizer, a autoestima das pessoas com quem deveríamos conviver harmoniosamente.
Estamos em véspera de eleição e esperamos que os nossos representantes governamentais eleitos estejam conscientes da necessidade de políticas públicas concretas que contemplem a todos com educação de qualidade, saúde, moradia, segurança, justiça, trabalho, entre outros fatores, que garantam aos cidadãos viver com dignidade. Contemplem em sua prática a ética e a cidadania, que são imperativos à estruturação da sociedade. Que o discurso não se contraponha à prática, e que os interesses privados não se sobreponham ao interesse público.
MARIA SALETE CARVALHO é professora e psicopedagoga em Londrina

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