Sempre patriota
O momento é oportuno para falar do assunto, afinal estamos na Semana da Pátria. Antigamente era obrigatório nas escolas o hasteamento da bandeira acompanhado do Hino Nacional. Na Semana da Pátria todos os dias cantava-se o hino, hasteava-se a bandeira e todos os alunos vinham com uma fitinha verde e amarela em forma de ''V'' invertido presa com alfinete na camisa do lado esquerdo do peito. Era obrigatório! Os postos de gasolina distribuíam fitas, verde e amarelo, para amarrar nas antenas dos veículos e nas casas viam-se bandeirinhas do Brasil. E no dia Sete de Setembro estavam todos participando do desfile. Era uma festa de patriotismo, civismo e união das famílias em homenagem e admiração ao país.
Os argentinos são muito patriotas, talvez seja o reflexo da guerra das Malvinas, no início dos anos 80, quando a Argentina combateu o Reino Unido e perdeu não só a guerra, mas também a posse sobre a ilha. Isso uniu o país. E nós, brasileiros, será que precisaremos entrar numa guerra para sermos mais patriotas? Teremos que ter nosso ego e autoestima abalados para sermos mais patriotas?
Nosso patriotismo aumenta muito em época de Copa do Mundo ou quando temos o ego e a autoestima abalados por algum acontecimento. O ideal é que colocássemos no poder governantes que adotem medidas para as escolas públicas e privadas onde o civismo seja tema obrigatório e sério. Assim aprenderíamos desde criança a importância de amar à Pátria. O regime era militar nas décadas de 1960/70, mas a publicidade da época era extremamente patriota e uma frase, com certeza, caberia muito bem para os dias de hoje: ''Brasil: Ame-o ou deixe-o''.
ALCIR ANTONIO CHIARI é engenheiro agrônomo em Londrina



A pátria em cada um

  Nesta Semana da Pátria revejo meus valores e concluo que atribuí importância exagerada àqueles que elegi e que me escandalizam com sua inoperância e seus desmandos. Penitencio-me, porque eles são reflexo de mim mesmo como cidadão. Mas agora ponho-me de pé e à ordem, porque a pátria não é constituída apenas pelos governantes mas por esta nação inteira de 190 milhões. Eu sou a pátria e então preciso definir o que quero para mim.
  Se apenas fico indignado, minha mente se turva e não consigo raciocinar. Mas se me levanto, torno-me existente e visível, posso puxar mais um e aí seremos dois, que puxarão mais dois e seremos quatro, e assim sucessivamente. Minha sensação de impotência foi na verdade pouca coragem e baixo grau de decisão. Recuso-me a aceitar que os valores maiores estão perdidos, porque acredito-me possível, com fé convicta no poder que carrego comigo. Os corruptos e os corruptores são a minha pátria defeituosa. Em parte também contribuí para torná-la assim, por negligência, conformismo e comodidade. Tenho perdido tempo demais com lamentações e me apequenei ao fazer grandes aqueles políticos que não eram suficientemente grandes a ponto de quebrantar minha esperança. Não quero odiar os governantes, porque isto me cega e assim perco o rumo. Desejo, sim, torná-los melhores, pelos meios de que disponho.
  Se busco apenas levar vantagem, se fujo de minha responsabilidade como indivíduo e cidadão, se não cultivo esperanças e ainda aniquilo com as do meu próximo, se desperdiço coisas e alimentos quando tantos necessitam, se cobro juro extorsivo em meu negócio, se exploro meus empregados ou, sendo um deles, maldigo o patrão e meu emprego, se não controlo meus pensamentos, palavras e atos, se apenas penso em competir e nunca em partilhar, se semeio a maledicência e pratico disfarçadamente formas de enganação, então passo a fazer parte da pátria marginal. Não quero que os governantes me mudem, mas mudo a mim mesmo. Se eu for melhor, eles serão melhores.

WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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