ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Dom Orlando Brandes 
Entendemos por ''iniciação cristã'' a entrada no estágio da maturidade cristã. O iniciado é alguém que chegou à idade da fé adulta, que vive em profundidade a identidade cristã, com entusiasmo, transparência, coragem e santidade.
Chega-se à iniciação cristã por um caminho, uma experiência de catequese, uma progressiva formação cristã, que chamamos de catecumenato. O catequizando tem o nome de catecúmeno. Ele vai realizando etapas de experiência cristã até chegar ao início, ou seja, à entrada, à iniciação na maturidade cristã.
O catecumenato foi uma ''escola de catequese'' que surgiu no século IV (300 d.c) num contexto de relaxamento e decadência cristã. Para superar essa situação de desleixo o catecumenato foi o caminho de reencantamento, reavivamento e mudança. É um caminho de seguimento radical de Jesus, onde os cristãos readquiriram coragem para enfrentar as perseguições, sabedoria para superar as heresias, audácia para viver a fé.
O catecumenato proporciona uma profunda experiência transformadora e um encantamento pelo evangelho e pelo reino de Deus a partir de seis experiências que são os pilares, as marcas, as características da iniciação cristã. Eis os seis elementos constitutivos que caracterizam a maturidade cristã.
1. O encontro. Tudo começa com um encontro, uma experiência, um toque, um encantamento por Jesus, sua pessoa e seu reino. Trava-se uma amizade, uma fascinação e uma vinculação especial com o Senhor. Este encontro é decisivo, persuasivo, profundamente transformador. ''Não há outro tesouro, outra felicidade, outra prioridade'' senão seguir Cristo Jesus, diz o documento de Aparecida.
2. Permanente conversão. O cristão que se encontrou com Cristo deseja ser melhor, progredir, imitar o Mestre. Sente a urgência e a necessidade de uma contínua mudança, permanente transformação, inquietante imitação e seguimento de Jesus.
3. Celebração da fé. A iniciação cristã leva à oração, aos sacramentos, à celebração litúrgica, aos salmos, aos mistérios rezados e vividos. Uma pessoa iniciada tem gosto e zelo pela celebração, pela vivência sacramental, pela vida eucarística e pela mística.
4. O engajamento na comunidade. A catequese de iniciação cristã conduz os fiéis a amar sua comunidade, envolver-se na vida da comunidade, vibrar com a vivência e o trabalho na Igreja. Presença, trabalho, alegria e consciência comunitária são frutos da iniciação cristã.
5. Desejo de ser mais. Todo iniciado quer saber mais para ser mais. Procura formação, estudo, doutrina, especialmente um grande amor pela Palavra de Deus. A pessoa iniciada tem um ''coração bíblico'' e cultiva com ardor o conhecimento e a vivência da Palavra de Deus, cresce no discipulado.
6. A missão. A iniciação leva à missão, à evangelização, ao apostolado. O zelo, a consciência, e o espírito missionário chega até ao martírio. A pessoa com iniciação cristã tem audácia, desassombro, criatividade e ímpeto missionário.
Em nossos dias o catolicismo precisa de reavivamento, reencantamento, entusiasmo. O caminho que a Igreja aponta é a catequese de iniciação cristã. A catequese catecumenal leva-nos à entrada, à chegada, ao início da maturidade da fé que é a iniciação cristã. Os catequistas, os seminaristas, os padres, diáconos e bispos, enfim, todos os cristãos temos um caminho a seguir que é o catecumenato em vista da iniciação cristã. Aqui está o futuro da fé, a superação da rotina, da decadência, da mediocridade cristã.
DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina


