Fidelidade partidária
Temos observado que ainda se fala em fidelidade partidária diante do quadro político brasileiro. Verifica-se que as cúpulas dos partidos cobram fidelidade de seus eleitos, porém, o sufrágio do voto consciente faz a opção pelo candidato e não pelo partido. Quem é visto em programas eleitorais é o candidato, pois todos os partidos têm em sua ideologia fatores éticos benéficos à sociedade. O programa do partido não dá frutos e sim o plano de ação dos candidatos. Vota-se no candidato e não se olha em que partido ele está filiado. A própria conjuntura política partidária do Brasil hoje nos oferece tal entendimento.
Prestigia-se candidatos de outras ideologias não pelo valor que eles têm em sua postura política ou idoneidade, mas sim porque o partido fez coligação, nem sempre aceita pelos seus pares. A coligação reúne homens de ideologias antagônicas, expondo-os em ambiente indesejável. Por que o partido pode praticar a infidelidade (celebrando coligações) e os eleitos não podem exercer o direito de não respeitarem também o partido? Têm que permanecer no partido só por que foram eleitos dentro dele? Por que os partidos podem cobrar a fidelidade de seus votados, se eles não a exercem? A reforma política ditaria normas eficazes nesse sentido?
Se a legislação eleitoral permite coligações, então o eleito deverá estar liberado. Disciplina e postura política têm que ser exercidas pelo eleito e o partido. A incoerência não pode fazer parte do homem público.
HELIO VITTI é contador em Araruna



Como produzir bons governantes

  Sempre que há eleição repito o escrito de que não teremos governantes melhores se o conjunto da sociedade também não se melhorar. Porque eles são substratos do meio social. Portanto, só se pode extrair desse meio o que ele possui. Se não nos portamos plenamente honestos como cidadãos, não podemos encontrar nos cargos públicos alguém diferente. Porque os administradores públicos e os parlamentares refletem o exato modelo do tecido social.
  A conduta deles é, portanto, idêntica ao nosso comportamento como pessoas, e se nos observarmos melhor, constataremos nossas virtudes e também nossas faltas. Estas se manifestam, em maior ou menor intensidade, por abusos em nossos negócios, negligências e desonestidades profissionais, algumas chantagens, exploração financeira, maledicências, mentirinhas regulares e assim por diante. Violência tão sórdida quanto todas as demais é, por exemplo, a praticada pelo sistema financeiro.
  Então, se assim se comporta o círculo social, num universo de competição muitas vezes demolidora e de atitudes lesivas, assim será por trás dos gabinetes governamentais. Devemos então capitular? Não, e por isso não podemos abandonar nosso anseio de aperfeiçoamento moral, que apesar de tudo existe, embora acomodado na maioria das pessoas.
  Os políticos, os empresários, os profissionais, os cidadãos em geral, são produtos do mesmo conjunto social, e aquilo que são reflete na representatividade parlamentar e nos postos do comando oficial. Nada mais sábio que o dito popular de que cada povo tem o governo que merece.
  Não há garantia de que a família produza bons cidadãos, mas é certo que bons cidadãos formam uma boa família; também não é certeza que a escola gere homens formidáveis, mas homens formidáveis fazem uma boa escola; a igreja não produz pessoas excelentes e fraternas, mas bons cristãos é que forjam uma boa igreja. Governos não engendram patrícios exemplares, mas estes é que constroem um bom governo.

WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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