ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Airton Nozawa 
A morte no trânsito sensibiliza menos? Diariamente são noticiados acidentes no trânsito de Londrina. Segundo a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), em julho foram 440 acidentes com 220 pessoas feridas. O preocupante dessa situação é o aumento do número de atropelamentos fatais. A mídia noticia, entretanto, talvez por serem tão repetitivos parecem não mais despertar a devida atenção das autoridades. Se as vítimas são pessoas pobres, humildes, idosas, sem influência política ou simplesmente por serem ''os outros'', tudo parece tolerável. Entretanto, se forem membros de famílias influentes a reação do poder público é imediata, porém isolada: implementa sinalizações verticais e horizontais; instala semáforos; constrói quebra-molas, etc.
A tão propalada violência urbana é mais vinculada às mortes causadas pelos homicídios, latrocínios, assaltos, disputas do tráfico de drogas, consumo de drogas. As mortes no trânsito parecem não fazer parte desse rol. Será que o prefeito, a CMTU e o Conselho Municipal de Trânsito percebem ou se importam com isso? O problema do trânsito não é simplesmente o mal uso da faixa de segurança. A maioria dos acidentes poderia ser evitada se houvesse o controle eficiente de uma simples variável: a velocidade dos veículos. A sua redução propicia, tanto ao pedestre quanto ao motorista, mais visibilidade e o aumento do tempo de reação às situações adversas.
A redução da velocidade não implica em congestionamentos, como muitos acham, desde que os semáforos sejam sincronizados. Assim como a sincronização dos semáforos não implica no aumento de velocidade. Existem cidades que não sincronizam seus semáforos para não aumentar a velocidade dos veículos. Um absurdo! Somadas às intervenções nos semáforos, a colocação e pintura de sinalizações verticais e horizontais são fundamentais, desde que realmente indiquem a verdade. Há na cidade sinalizações que são mentirosas. O poder público blefa com o motorista, como se as atitudes no trânsito devessem ser as mesmas de um jogo de cartas.
Apesar de muitos criticarem as aplicações das multas, tachando-as como uma indústria, elas são decisivas no processo educativo dos motoristas oportunistas. Para isso, os locais onde se controla e fiscaliza a velocidade devem receber farta divulgação e sinalização horizontal e vertical. Por outro lado, não se pode autuar os motoristas infratores ficando à sua espreita como se estivesse à procura de elementos nocivos, como a polícia ''caça'' os bandidos.
As regras devem ser bem divulgadas, claras e visíveis. A partir daí, a crítica à ''indústria das multas'' será uma justificativa inconsequente. Se ainda pairarem dúvidas ao poder público, sugiro que visitem Uberlândia (MG) que tem tamanho aproximado ao de Londrina. Lá foram instalados muitos radares nas principais vias, os semáforos foram sincronizados em função de velocidades permitidas e as sinalizações são ostensivas, bem visíveis e esclarecedoras. O resultado foi a redução da velocidade dos veículos, mais tranquilidade e segurança aos pedestres.
Para não mais constatarmos essa realidade cruel e injusta, urge na cidade um projeto consistente que vise à redução do número de acidentes no trânsito. As consequências imediatas serão vidas poupadas e leitos de hospitais menos ocupados. Ensinar isoladamente a população a utilizar as faixas de segurança é uma intervenção, mas é a inversão das prioridades. Não esperemos por mais acidentes, mais atropelamentos, mais feridos, mais mortos! As ações são trabalhosas e dispendiosas, mas se pelo menos uma vida for poupada, todos os esforços e investimentos terão sido recompensados.
AIRTON NOZAWA é engenheiro civil e professor na Universidade Estadual de Londrina


