ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Daniel Magnoni<br>Walmor Macarini 
Restrição de sal na alimentação
O homem moderno carrega na sua bagagem da evolução os males da urbanização. Na alimentação da população, seguidamente coloca-se o fantasma do ''fast food'' e todos os perigos dos maus hábitos nutricionais. Nesse aspecto, o sal desponta como um dos maiores vilões. O Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos relaciona o elevado consumo de sal aumentando o risco de morte tanto quanto o aumento da pressão arterial e demais doenças vasculares, mesmo em pessoas sem hipertensão.
Os Estados Unidos e quase todos os países ao redor do mundo têm um hábito alimentar de elevado consumo de sal. No Brasil estima-se que o consumo médio de sal esteja em níveis alarmantes de 13 gramas por dia. Em todas as classes de renda no Brasil, a maior parte do Sódio disponível para consumo provém do sal de cozinha e de condimentos à base de sal. A ação mais importante que cabe junto à indústria é a concordância na redução do conteúdo de sal em todos os alimentos industrializados. O teor de sal, não mais o de Sódio, deve constar nas embalagens.
A população entende sal como perigo, não entende a palavra Sódio e não compreende a relação entre o mineral e o produto usado na alimentação. A palavra Sódio gera confusão e não seguimento de recomendações. Algumas ações simples podem ajudar a reduzir o consumo de sal: evite enlatados e embutidos; retire o saleiro da mesa; cuidado com o Shoyu (molho japonês); utilize temperos alternativos; e cuidado com a restrição severa, além de não saudável, pode conduzir ao abandono do tratamento, ninguém consegue comer sem sal!
DANIEL MAGNONI é médico coordenador do selo de aprovação da Sociedade Brasileira de Cardiologia
A nossa ligação com o mistério
A humanidade sempre esteve ligada ao mistério, porque uma chama interior veio mantendo em cada indivíduo a crença em algo superior, especialmente o indecifrável enigma acerca da vida depois desta. É presente a convicção da sobrevivência após o desenlace carnal e de que iremos para algum lugar. Pelo menos o catolicismo, o islamismo e o evangelismo classificam como três as moradas de todo o Cosmo: Terra, Céu e Inferno.
Civilizações antigas e povos indígenas já realizavam seus cultos e elevavam o pensamento para o alto. Estes últimos, sobretudo os das Américas do Norte e Central, eram espiritualmente evoluídos. Tinham a concepção de um poderoso regente dos céus e um grande respeito pela natureza. Também as lendas robusteciam (como ainda hoje) a crença na existência de seres especiais protetores das plantas, das águas, da terra, dos animais e de reinos como o do ar e o do fogo. Nesse entender, as fadas existem, e não apenas elas. A Suprema Criação também permitiu que viessem à existência os senhores das trevas e das tentações.
Não são necessários os ritos para sentir a presença de Deus - embora reforcem a fé -, mas uma introspecção localizará mais facilmente esse mentor supremo, que nos fala do íntimo, pela intuição, e nos indica rumos a seguir. São muitos os que, para crer, precisam saber de milagres (as coisas que consideram sobrenaturais), sem atentar que eles se manifestam em tudo que se move e se transforma. Outros precisam de líderes religiosos que os guiem, pelo comodismo de não desejarem pensar por si mesmos. E há os que são induzidos pelo temor de castigos eternos.
É certo que, face a uma baixa densidade moral, poderemos logo após este desencarne passar por umbrais, que são lugares nada agradáveis, até que nos cheguem lampejos de claridade e sejamos recolhidos para locais de recuperação. Estes são os estágios de preparação para nosso eventual retorno à Terra (por quantas vezes isto for necessário) e, na continuidade, possamos alçar voo para dimensões mais elevadas, até onde não podemos sequer imaginar.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina


