ESPAÇO ABERTO
Na contramão ambiental
Roger Colacios
A Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel) anunciou recentemente projetos para a construção de mais 15 usinas hidrelétricas no Estado do Paraná, todas localizadas no Rio Piquiri. Serão 11 unidades de pequeno porte e outras quatro de capacidade média que irão abastecer de energia aproximadamente dois milhões de pessoas. Um incremento na geração de eletricidade paranaense que já conta com a construção da Usina de Mauá, no Tibagi, num total de sete que serão erguidas neste rio. Tudo isto em um Estado que Itaipu compõe o parque gerador de energia.
A intenção da empresa seria de garantir a produção de eletricidade para os próximos anos, combatendo o risco de apagão. Mas ao que parece esta iniciativa da Copel, apesar de louvável por um lado, pelo outro apresenta um profundo dissenso ecológico e até estratégico. Especialmente pela questão geração de excedentes e degradação ambiental que este tipo de projeto proporciona.
O Paraná utiliza aproximadamente 20% da energia que gera, vendendo para os outros Estados o restante produzido. Portanto, a preocupação com a falta de energia para os paranaenses é no mínimo exagerada, já que teríamos um bom caminho a percorrer antes da demanda se tonar um problema grave. Afinal, quem mais se beneficia com o excedente paranaense são as indústrias de São Paulo, que não geram receita para o Paraná.
Quanto ao ''risco de apagão'', vale lembrar que a principal causa do blackout brasileiro na última década foi exatamente provocado pelas hidrelétricas. A falta de chuvas e os erros de planejamento levaram que várias usinas não suportassem a demanda de energia e parassem, causando o apagão que atingiu grande parte do país. Portanto, uma opção complicada para evitar um problema, já que seria aumentar sua probabilidade de ocorrer.
Do ponto de vista ambiental, as usinas hidrelétricas são verdadeiros desastres em todos os sentidos. Além dos custos faraônicos de tal construção, seu impacto ao meio ambiente não vale o benefício previsto pela geração de energia que, aliás, poderia também ser alcançado com fontes alternativas de energia.
Como exemplos de degradação ambiental, temos as questões hidrológicas, principalmente a mudança no curso dos rios afetados pelas represas e barragens. Alteração nas bacias hidrográficas, junto à mudança na vazão dos rios e na qualidade da água, pois esta fica parada por muito tempo nas represas. Altera-se também a topografia, fauna e flora nas margens dos lagos das usinas.
Inclusive existem impactos sociais e econômicos que estas unidades de geração podem causar, tais como: o deslocamento de populações inteiras, a diminuição de lavouras e áreas para a pecuária e demais atividades pastoris. Sem contar a destruição de paisagens e possíveis sítios arqueológicos.
As grandes obras de geração de energia, seja qual for o tamanho das hidrelétricas, não deveriam se encaixar no planejamento dos governos e das empresas energéticas. Ainda mais quando não há a necessidade nem mesmo a longo prazo de tal expansão. A tecnologia atual já apresenta soluções para a geração limpa de energia que podem, se trabalhadas em conjunto, suprir qualquer demanda futura, seja no Paraná ou no Brasil.
A Copel deveria antes de tudo ouvir os grupos ambientais e a opinião da população em geral. Também, levar em conta as chamadas ''externalidades'' dos gastos em projetos deste tipo. E talvez, em vez de pretender gastar milhões dos cofres públicos com a construção de usinas hidrelétricas, deveria investir este dinheiro na modernização de seu parque gerador de energia.
ROGER COLACIOS é historiador em Londrina e doutorando em História Social pela USP
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