Meio termo entre boas e más notícias
Zapeando pelos canais da TV aberta nos últimos dias uma triste realidade pôde ser constatada. Há uma pobreza humana sendo discutida e explorada em busca de audiência. Isso mantém aceso na mente das pessoas o horror cometido em crimes como o assassinato de Eliza Samudio. E não apenas os noticiários se dedicam a essa fórmula de ganhar audiência. Programas de entretimento têm tornado o caso em uma novela da vida real. Motivo? Manter a atenção das pessoas para o assunto até que ele seja esclarecido? Ledo engano. Sem nenhuma moralidade, certos programas têm levantado uma bandeira de serviço à população, como se seus apresentadores fossem ''salvadores da pátria''. Como juízes, despejam sobre seus telespectadores uma série de más notícias para prender a atenção.
Não podemos negar a nossa incontrolável curiosidade pelo mórbido, mas alimentar ou explorar isso é apelo miserável demais. Mesmo que a informação contribua e socialize o indivíduo, ele não se sentiria melhor se o mau humano não fosse a única coisa explorada em um programa de duas horas? Cabe a cada um decidir a dose diária de terror que deixará entrar em sua mente. Um pouco de distanciamento nas emoções das notícias poderiam fazer os fatos falarem por si mesmos, porque já falam, e os telespectadores poderiam aproveitar o fim do domingo ou a segunda pela manhã com boas notícias para iniciar bem a semana.
Há duas semanas o caso do goleiro Bruno é o principal assunto em programas que têm maior audiência no Brasil nesses dias e horários. Seja criterioso. Um filtro pessoal pode livrá-lo de muitas notícias ruins.
BRUNO MAFFI é jornalista na Folha de Londrina


Divindades unidas, fiéis divididos

  As religiões são basicamente iguais nos fundamentos com relação à existência de algo superior e sagrado - uma inteligência suprema que a tudo governa - e no geral empregam palavras diferentes para dizer quase as mesmas coisas. Contudo, ainda não consolidaram um acordo de unificação. Enquanto certas crenças ainda se posicionam em confronto, nos planos celestiais os patronos adotados por igrejas estão unidos pela causa da harmonia entre seus devotos.
  Ritos, preces e cerimônias tibetanas se assemelham bastante aos da Igreja Romana. Os muçulmanos mencionam Jesus com reverência. O arcanjo Miguel, que figura na lista dos santos do povo católico, foi o mensageiro inspirador de Taniguchi para vasta obra escrita da Seicho-No-Iê. O arcanjo Gabriel, também venerado pelos católicos, ditou para Maomé o Corão, o livro sagrado do islamismo. A doutrina espírita cultua Jesus, Maria e santos louvados pelo catolicismo. Na literatura espírita encontram-se mensagens mediúnicas de São Luiz e Santo Agostinho. São Gregório e São Jerônimo falavam da transmigração das almas, e no passado conceituados teólogos cristãos perfilhavam a crença na reencarnação.
  Francisco de Assis realizou seu ministério como frade católico, e ainda hoje nos repassa admiráveis ensinamentos, assim atestando que esses seres de grande luz continuam sua obra evangelizadora a partir do plano espiritual. Buda (600 anos a.C) e Jesus deixaram muitos ensinamentos semelhantes. Estudioso de religiões comparadas no período de seus 13 aos 30 anos (primeiro com os essênios e depois no Egito, na Índia, no Nepal, na Pérsia), Jesus nunca condenou crença alguma. Era apenas avesso à corrente védica do hinduismo, por discriminar o povo por castas. Todos esses iluminados seres não criaram religiões e convivem na mesma morada celestial, ainda unificados na missão de salvar a humanidade terrena, mas os homens se subdividiram em múltiplas denominações religiosas e nutrem injustificados desentendimentos.

WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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