1. O fundamentalismo. Consiste em interpretar os escritos religiosos ao pé da letra, numa ótica tradicionalista, conservadora, rigorista. O texto sagrado vira tabu, ídolo, fetiche. Não há lugar para interpretação, mas para o fanatismo, a ideologia, e interesses de classe. O fundamentalismo impede o ecumenismo.
2. O indiferentismo. Afirma que todas as religiões são iguais ou que elas são desnecessárias, inúteis, marginais. Cada um faz o que bem entende, conforme as necessidades ou vantagens pessoais. Para o indiferentismo a religião depende do gosto de cada um. O indiferentismo ignora a transcendência e a abertura natural ao divino, a fé e a opção de fé.
3. O proselitismo. É a manobra, a tática, para conquistar fiéis, com propaganda religiosa à custa de condenações das outras religiões e de artimanhas para atrair adeptos. O proselitismo consiste em rebaixar, ridicularizar, combater as outras religiões, colocando-se, numa situação de superioridade e vantagem. O proselitismo é antiético, interesseiro, sectário. Este tipo de atitude é antievangélico e antifraterno.
4. O ritualismo. É o cuidado com as aparências, as normas e as leis, mas o coração está longe de Deus e do próximo. Eis o culto falso, impecável na celebração, mas cheio de simulação, falsidade, incoerência interior. Vestes de seda, cálices de ouro, cerimônias solenes e impecáveis, mas, pouca oração, pouco perdão, falta de caridade e de missão, eis o rosto do ritualismo. Vencemos o ritualismo com a vida interior profunda, a caridade e a misericórdia, a oração e a ação.
5. O fanatismo. É o excessivo apego religioso, defesa apaixonada e cega da religião ou de elementos religiosos que leva à intolerância, rigidez, exaltação, violência e animosidade. O fanatismo alimenta o radicalismo aliado às ideologias, a interesses políticos e à dominação. A superação do fanatismo se faz com o diálogo inter-religioso, a relação entre ciência e fé e também com leis inibitórias, quando fere os direitos humanos e a reta razão.
6. A hipocrisia. É dizer uma coisa e fazer outra. Ter discurso espiritual e vida carnal. Rezar para ser visto e elogiado. Usar da boa fé do povo para interesses financeiros. Os profetas e Jesus combateram o culto falso, a religião sem caridade e justiça. Como é urgente e necessária a conversão do coração e a coerência entre fé e vida, para evitarmos a ''mundanidade espiritual''.
7. A guerra religiosa. Divisões, brigas, rixas, agressões, mentiras de uma religião contra outra, são um escândalo que prejudica as pessoas, as comunidades e revolta a sociedade. Estas atitudes trazem descrédito, afastamento e decepção da sociedade, e pior, ateísmo e indiferença. Precisamos de unidade, tolerância, diálogo e respeito. As religiões não podem prejudicar a humanidade.
8. O ridículo. A religião é fascinante, mas o ridículo ronda o mundo religioso. Onde há idolatria, magia, falta de teologia, discrepância entre ciência e fé, há o risco do ridículo, do exagero e do misticismo. Como é importante, o estudo de religião, a teologia, a ciência. Beatices, magias, crendices, esquisitices, tradicionalismos estão longe da verdadeira religião e são expressões ridículas da experiência religiosa.
DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina

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