ESPAÇO ABERTO
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segunda-feira, 05 de julho de 2010
Lauro Morales 
O Paraná, tanto quanto os demais Estados com agricultura intensiva, usa grandes quantidades de pesticidas. No nosso caso, as culturas que utilizam grandes áreas como soja, milho e trigo são as que mais utilizam os agroquímicos. Segundo levantamentos efetuados pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) e por cooperativas, nos últimos oito anos dobramos o número médio e aplicações de inseticidas na soja. Isso não significa que o Paraná use menos criteriosamente os pesticidas do que outros Estados ou países. Entretanto, como não é possível eliminar esses produtos no nosso modelo agrícola, é possível - e necessário - racionalizar o seu uso.
O aumento do uso de pesticidas, incluindo inseticidas, herbicidas e fungicidas, está associado a uma série intrincada de fatores. Grandes áreas contíguas com a mesma espécie, além de simplificar o ecossistema favorecem o desenvolvimento de populações de pragas por fornecer alimento e abrigo. A aplicação desordenada desses agroquímicos, além de aumentar o uso desses pesticidas, pode aumentar a população de algumas pragas. Outras ocorrências são causadas pelo próprio modelo de manejo da cultura ou o plantio de ''safrinha'' provocando o aumento de populações de insetos, ou outros grupos, até então consideradas sem grande importância para a agricultura, como lesmas, caracóis e piolho de cobra. O contrato do crédito rural, em geral, está condicionado ao planejamento antecipado da compra de pesticidas, antes mesmo de constatada a real necessidade de controle da pragas, o que pode levar também ao aumento no uso de agroquímicos.
De qualquer maneira, o mais importante é a conscientização do produtor para racionalizar as aplicações de defensivos, determinando quando e que produtos aplicar para o controle de determinadas pragas. Fica claro, para quem acompanha o processo de adoção dessas tecnologias poupadoras de agroquímicos que o produtor por insegurança no momento da decisão, quase sempre opta por usá-los mesmo sem necessidade, quando não há um técnico ajudando na tomada de decisão.
A partir das observações desse aumento no uso de inseticidas por representantes dos produtores (sindicatos e cooperativas), organismos de pesquisa, universidades, extensão oficial, empresas particulares e demais organismos do governo estadual e federal nasceu o Projeto Manejo Integrado de Pragas (MIP) Paraná. Esse projeto, discutido com o governo do Estado, foi também debatido com a sociedade em oito regiões do Paraná. Nessa fase, 580 profissionais do setor, lideranças e políticos tiveram conhecimento do problema e da proposta formulada. Na segunda etapa, ainda em 2008, foi iniciada a reciclagem dos técnicos do Estado, envolvendo a iniciativa privada, cooperativas e órgãos públicos, participando, nesta fase, 381 técnicos de diferentes instituições. A partir desses treinamentos, dezenas de encontros de produtores já ocorreram no Estado onde foram abordados os aspectos econômicos, sociais e ambientais do estado atual do controle de pragas e os prejuízos que poderão ocorrer na nossa agricultura caso se persista no rumo inadequado.
Alguns problemas já foram identificados. Dessa forma, uma dezena de informações está sendo gerada pelos institutos de pesquisa e universidades para atender novas situações problemas. Para tanto, estão sendo mapeadas ocorrências de pragas resistentes, informações sobre milho Bt, o efeito na população de organismos benéficos de solo pelo uso intensivo de agroquímicos na semente, entre outras. Assim, algumas ações terão resultados imediatos, algumas outras, entretanto, demandarão alguns anos para refletir no número de aplicações de pesticidas nas culturas de maior expressão no Estado.
LAURO MORALES é engenheiro agrônomo/entomologista da Emater em Londrina e coordenador do grupo gestor do MIP Paraná


