O dia de São Pedro e São Paulo é o dia do Papa, que completou cinco anos de pontificado. Ressalto alguns pontos-chaves do ministério petrino de Bento XVI.
1. Teólogo atraente. No âmbito da Igreja Católica ouve-se sempre o mesmo refrão: ''Como esse Papa é profundo e escreve com simplicidade''. Seus escritos são atraentes pela profundidade, espiritualidade e simplicidade. Bento XVI é um catequista que cativa e convence. Não é mero professor como dizem seus críticos. O fluxo de fiéis ao encontro com o Papa tem aumentado em relação ao passado.
2. Incentivador do ecumenismo. Desde o início do seu pontificado o Papa tem incentivado o ecumenismo. O seu gesto ecumênico de acolher os anglicanos na Igreja Católica é uma comprovação do espírito ecumênico de Sua Santidade, como também a histórica visita à Sinagoga de Roma e o diálogo com o Islã.
3. Mártir da verdade. Todos sabemos como a mídia criou uma imagem negativa do cardeal Ratzinger e como atualmente os inimigos da Igreja tentaram envolver o Papa em escândalos de abusos sexuais e nada comprovaram. Seguro, sereno, e fiel, Bento XVI sofre por defender a verdade e não trair a fé. Ele é amigo da verdade mesmo tendo que sofrer rejeições, críticas e incompreensões. O tema preferido em sua pregação é a amizade com Jesus. Esta amizade é o segredo de seu respeito com a verdade.
4. Solicitude Pastoral. Tanto o Ano Paulino como o Ano Sacerdotal revelam o coração e a alma pastoral de Bento XVI. Está convocando a Igreja para que se volte para as Escrituras. Ele mesmo afirma que a leitura orante da Bíblia será a ''primavera da renovação da Igreja''. Com sacerdotes santos e um catolicismo bíblico a Igreja dispõe de duas asas para alçar o novo voo pastoral. Os Sínodos sobre a Eucaristia, a Palavra, a África e o Médio Oriente falam por si, como também suas viagens apostólicas têm atraído multidões. A conclusão do Ano Sacerdotal foi um acontecimento inédito na Praça São Pedro.
5. Amigo dos pobres. É preciso transformar os desertos em jardins, diz o Papa. A pobreza, a injustiça, a violência são desertos. A encíclica ''Caritas in Veritate'', é um escrito profético em favor de uma nova economia onde o ''capital humano'' é defendido como prioritário em relação ao capital econômico. A ganância pelo lucro, o consumismo, o tecnicismo destroem a natureza, criam mais pobreza, provocam a violência, alimentam a corrupção. A caridade do Papa em relação à Amazônia, à África, às vítimas de cataclismas demonstra seu amor aos pobres. A fome não é acaso, é algo institucional, estrutural, fruto da política e da economia, diz Bento XVI.
6. Liturgo exigente. Há quem não concorde com o rigorismo litúrgico do Papa. Outros temem uma volta ao tradicionalismo na liturgia. Acontece, porém, que as reclamações litúrgicas que chegam a Roma são muitas. Por outro lado, para proteger a unidade eclesial, o Santo Padre, tem orientado a Igreja para a oração, a arte celebrativa, a fidelidade e a valorização do tesouro litúrgico segundo a tradição da fé e da liturgia. Tudo isso na fidelidade ao Concílio Vaticano II.
7. Segurança ética. O Papa tem alertado a todos a respeito do perigo da ''ditadura do relativismo'' e o ''império do individualismo''. A decadência moral, o vazio existencial, o desafeto pela Igreja, são efeitos do ''dogma do relativismo''. O Santo Padre tem convocado a Igreja e os homens de mulheres de boa vontade a salvarem o embrião humano, a família, o matrimônio, a lei natural, os verdadeiros direitos humanos, a ''ecologia humana'' e o meio ambiente. Vivemos um ''hiperdesenvolvimento técnico e um subdesenvolvimento ético'', diz o Papa. A queda da natalidade trouxe e trará graves problemas para as nações. A vida é um bem fundamental. Um humanismo desligado de Deus, gerador da cultura da morte, é um ''humanismo desumano''.
DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina

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