ESPAÇO ABERTO
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segunda-feira, 28 de junho de 2010
José Antonio Fontes 
Em 8 de março deste ano, durante reunião do Conselho de Sanidade (Conesa), a Associação Nacional dos Produtores de Bovinos de Corte (ANPBC) votou a favor para o início do processo de erradicação da aftosa no Paraná. Sendo 100% favorável à conquista do status livre de aftosa sem vacinação, ponderou, no entanto, que para a obtenção deste novo status sanitário era preciso uma política de Estado, e não apenas uma política de um governo.
Agora, no último dia 21, o Conesa reuniu seus conselheiros para apresentar o estágio em que se encontra o processo, demonstrando com clareza as reais dificuldades para cumprir as exigências da Normativa 44 e assim viabilizar a suspensão da vacina ainda em novembro de 2010. Representada por dois de seus diretores, a ANPBC constatou que as ações estão sendo tomadas dentro de uma visão de prazo que permite ao Estado preparar-se para viabilizar orçamentos que atendam o montante dos investimentos exigidos para este objetivo, bem como sua manutenção.
Este encontro colocou à mesa de maneira inequívoca que é indispensável buscar o status sanitário. Diante do desejo e compromisso do Estado, a ANPBC quer, a partir de agora, o Paraná livre de aftosa sem vacinação. Porém, os compromissos na área técnica exigem esforços do governo e dos demais componentes da cadeia de bovinos de corte que excedem a normalidade.
A ANPBC ratifica a necessidade indispensável de apresentação dos dados para a discussão do impacto de ordem econômica ao bovinocultor. A entidade reconhece os benefícios à suinocultura, avicultura e demais produtos agrícolas pela conquista do novo status, entretanto, os bovinocultores não podem ficar expostos e sem garantias, correndo o risco de ficar somente com a conta a pagar.
Podemos afirmar que os benéficios para a atividade de pecuária de corte não serão de curto prazo, pois com o quadro atual é temerário efetuar qualquer previsão: o reconhecimento pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) não é instantâneo; o mercado externo é imprevisível; e o mercado interno, uma incógnita.
O bovinocultor é um empreendedor solitário, dependente direto da indústria (frigorífico), refém da distribuição (atacado e varejo) e vilão para o consumidor que, paradoxalmente, é o nosso grande aliado.
Reconhecemos que o o novo status poderá, a longo prazo, proporcionar a provável valorização da carne bovina. Dessa forma, haverá a certeza do retorno do investimento e a sobrevivência da atividade, gerando mais divisas e empregos no Estado.
Entretanto, temos que reconhecer que o Paraná não é uma ilha autossuficiente quando se trata de produção, processamento, comercialização e consumo de carne bovina. Com a liberdade da entrada de carne de outros Estados, tanto o bovinocultor quanto o consumidor poderão ficar em alta exposição na vigência deste novo status sanitário.
Por isso, a ANPBC mantém a proposta do amplo debate entre as entidades de governo, pecuaristas, frigoríficos, distribuição, varejo, pesquisa e extensão rural e consumidores, para que todos estejam com os mesmos níveis de conhecimento, compromissos, deveres e obrigações, de forma a garantir a conquista e permanência no novo status sanitário sem direito a volta.
A ANPBC, a partir de agora, e em paralelo ao desenvolvimento, aprendizado e ações ao longo do tempo, poderá também motivar demais associações a nível nacional e pecuaristas dos Estados participantes dos circuitos pecuários confrontantes a buscar o novo status de forma ordenada, prudente, e realmente com benefícios a todos os bovinocultores brasileiros.
JOSÉ ANTONIO FONTES é presidente da Associação Nacional de Produtores de Bovinos de Corte (ANPBC)


