Mais campos de peladas e menos drogados
O técnico Dunga fala tanto em honrar a camisa da seleção brasileira, mas nunca deve ter visto a postura de seus comandados ao cantarem o Hino Nacional. Alguns se coçam, outros conversam e é provável que nenhum deles saiba a letra. Uma coisa é clara, se tivéssemos boas escolas em tempo integral não teríamos tantos jogadores de futebol. Quando treinariam nas ruas e nos campinhos de várzea? Diminuiriam os robinhos, os ronaldinhos e, talvez, não existiria essa alegria eufórica a cada quatro anos. Pena que o técnico só chamou os que obedecem. Os rebeldes do ''fundão'' não foram convocados. Ganharemos dos fracos, mas contra times de peso faltará a ousadia dos rebeldes.
Se tivéssemos mais campos de peladas pelo país, mais atividades para garotos afoitos na adolescência, menos drogados teríamos. Um bom slogan seria ''mais campos de peladas e menor número de clínicas para recuperação de drogados''. Portanto, mais sobreviventes. Por que não se propagam os campinhos das décadas passadas?
O futebol brasileiro é tão importante que a diretora executiva da associação de futebol do Zimbábue disse: ''A presença do Brasil será como a segunda vinda de Jesus à Terra''. Um paradoxo fundamentado, se é que isso existe. Embora eu acredite que boas escolas deveriam existir para que estes jogadores tivessem ao menos um vocabulário para dar entrevistas, porque são heróis em um país sem sábios.
NELIO ROBERTO DOS REIS é doutor em Ciências e professor na Universidade Estadual de Londrina



Os sentidos de gozar a vida
  É comum ouvir pessoas se lamentarem que o tempo vai passando e elas não gozaram a vida. Porque, como dizem, não reuniram meios suficientes para ter uma boa casa, um bom automóvel, objetos e roupas de mais qualidade, comidas e bebidas melhores, viajar e ir às festas e assim por diante. Outros (caso comum de muitos homens) sentem-se frustrados por não haver desfrutado mais da convivência com muitas mulheres; e dentre elas há as que não se consideram felizes por não haver encontrado o companheiro ideal.
  Obter felicidade por conta de bens materiais não deixa de ser um gozo da vida e um direito, mas há muitas outras coisas de elevada sublimidade que enriquecem a vivência terrena e, percebê-las, depende do grau de evolução de cada um e do que lhe causa satisfação. Observar todas as coisas com olhar de beleza e perfeição (porque mesmo os infortúnios têm sua razão de ser) é uma forma de sentir-se bem, e isto também é gozar a vida. Assim como viver em harmonia com todas as coisas.
  Amar as pessoas e aproveitar a oportunidade de servir é sem dúvida um prazer, se é que atribuímos importância à razão e à arte de viver. Podemos sentir imensa alegria desejando e conquistando todos os bens no início citados, mas se ficamos inebriados com os prazeres do mundo perdemos a consciência acerca de outros valores e podemos cair em profundo vazio. Isto é que tem deixado muitas pessoas deprimidas. Porque não cultuam, paralelamente, coisas que lhes tragam felicidade mais consistente e duradoura.
  Todos os bens terrenos foram criados para desfrute do homem, mas que não haja apego exacerbado a eles. O dinheiro e todos os mecanismos de facilitação da vida humana devem ser usados como forma de nos tornarmos mais úteis, a nós próprios e ao meio em que vivemos. Viver em paz é uma forma de gozar a vida. Não a paz dos omissos e acomodados, mas a paz dos responsáveis e conscientes.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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