ESPAÇO ABERTO
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terça-feira, 22 de junho de 2010
Matheus Góis 
Segundo o consultor americano Paul Zane Pilzer, em seu livro ''A Revolução do Bem-estar'', a indústria homônima está em franca expansão e movimentará US$ 1 trilhão apenas nos Estados Unidos em 2010. O valor faz frente aos faturamentos das indústrias de automóveis, de computadores, de alimentos industrializados e de medicamentos. Muitas empresas descobriram que a saúde e o bem-estar dos consumidores é um caminho seguro para o aumento das vendas. Isso porque um dos setores que mais cresce na economia mundial é o de produtos e serviços dirigidos para a boa forma física e mental, por exemplo. Os números de alguns setores diretamente ligados ao bem-estar e vida saudável mostram que essa tendência já se consolidou no País.
Mas quando se fala em indústria do bem-estar, as atenções são voltadas para ações de medicina preventiva ou ainda para atividades físicas e espirituais. Porém, pensando de maneira dialética, podemos considerar este um campo promissor para toda a sorte de indústrias que trabalhem para produzir bens de consumo que levem o consumidor a experimentar a sensação de estar bem.
O lar ou o local de trabalho ganham pontos quando nos transmitem inspiração e paz de espírito. Portanto, uma casa agradável, com ambientes cuidados é também uma promotora de bem-estar. Com o aumento do poder de compra, o brasileiro está avalizado para investir em seu próprio patrimônio. A economia em crescimento possibilita que famílias com menos recursos possam investir na manutenção e conservação de seus patrimônios. Anteriormente, este tipo de atividade era restrito às famílias mais abastadas e não se tratava de prioridade das classes menos favorecidas.
Mas hoje reformas e ampliações são cada vez mais frequentes entre as classes sociais de menor poder aquisitivo. O aquecimento da economia é o passaporte para que famílias, que apenas sobreviviam, hoje possam pensar em qualidade de vida. E este fato, acoplado a projetos habitacionais como o Minha Casa, Minha Vida, do governo federal - que pretende construir um milhão de residências até 2011 - é o impulso que movimenta segmentos como o setor tinteiro, com 60% do mercado de tintas e vernizes destinado à construção civil.
Segundo informações da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), o setor de material de construção cresceu 9,8% de janeiro a setembro de 2008 na comparação com o mesmo período de 2007. Os dados refletem o desempenho das lojas em volume de vendas. No acumulado dos últimos 12 meses, o desempenho do setor foi de 11%.
Dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati), a construção imobiliária, a indústria automobilística e as obras de infraestrutura deverão alavancar as vendas de tintas em 2010, juntamente com as obras de reforma, repintura e autoconstrução. Com isso o mercado de tintas projeta um crescimento de 3,4% em relação a 2009. A boa notícia é que este crescimento não é sazonal e reforça uma consolidação do setor.
Uma radiografia das regiões brasileiras aponta o Nordeste como polo do maior potencial de crescimento do País e, consequentemente, com o maior potencial de compra de tintas e vernizes no Brasil. A região deve se manter na linha de frente das vendas de tintas, ultrapassando a média nacional. Outro fato que sustenta este panorama é o bom momento para a construção civil, com ampliação dos financiamentos imobiliários. Além disso, pesquisas apontam que - quando sobram recursos salariais ou advindos de crédito para compra de material de construção - os investimentos em reformas residenciais ganham peso e estão na lista de prioridades dos moradores. É a busca pelo bem-estar.
MATHEUS GÓIS é administrador de empresas em Cambé


