ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
domingo, 20 de junho de 2010
João Antônio Santa Rosa 
Na época do Novo Testamento era comum nas ricas e grandes famílias a figura do mordomo-servo. Acontecia que um senhor de vários escravos selecionava, a dedo, alguém dentre eles para ser o mordomo da sua casa. O mordomo era escolhido por algumas características pessoais bem acentuadas: ter senso de liderança e de administração. Sua função principal era guiar, proteger e suprir as necessidades dos outros servos que trabalhavam na casa, além de zelar pela casa como um todo.
O mordomo-servo possuía uma capacidade especial para detectar e reagir adequadamente diante de problemas que surgissem. E em razão de toda a responsabilidade que lhe era conferida, passava a ser alguém de extrema confiança do seu senhor. E justamente pelo crédito e expectativa que seu senhor lhe depositava, muito mais lhe seria exigido, pois àquele que muito foi dado muito lhe será exigido; e àquele a quem muito se confia, muito mais lhe pedirão.
E é exatamente este o papel dos líderes e lideranças cristãs das diversas denominações desta fé. Liderar, ir à frente, proteger e suprir as necessidades dos outros servos do seu Senhor. Porém, o que foi feito dos líderes e lideranças cristãs do Brasil? Diante da descomunal podridão ética, moral, política e social que toma conta da Nação, diante da violência que grassa à solta, onde estão os líderes e lideranças cristãs da terra brasilis?
Por sua omissão, provavelmente tenhamos presentemente os piores líderes e lideranças cristãs que o Brasil já teve durante toda a sua experiência com o cristianismo. Não há registro na recente história da nossa Pátria de tamanha sucessão de escândalos, de corrupção, de perversão, de desmandos políticos e sociais como a que temos passado. Também não há registro de tamanha apatia e patente falta de coragem dos líderes e lideranças cristãs.
Sejam eles protestantes ou católicos romanos, arminianos ou calvinistas, tradicionais ou pentecostais, históricos ou não, episcopais ou congregacionais, grandes ou pequenos, há uma cegueira insuportável, um silêncio não inocente destes mordomos que deveriam liderar, orientar e proteger os outros servos da Casa do seu Senhor, bem como os demais filhos de Deus na terra onde foram plantados.
Os líderes e lideranças cristãs nacionais são, atualmente, fac-símiles de um político nacional que, diante de tanta sujeira e descarada iniquidade perpetrada por seu governo, não vê nada, não ouve nada, não fala nada, não sabe de nada, inclusive dentro da sua própria parentela. A marca registrada de ambos é a omissão.
Deixaram de ser líderes e passaram a ser meras figuras protocolares. Homens de gabinete e de falas sem poder, sem autoridade e sem unção. Não gritam nas praças e nos campos, também não gritam nos palácios e nas favelas. Não denunciam e não enfrentam a decadência moral do seu tempo, principalmente a da liderança política em todas as esferas.
Os mordomos estão deixando os lobos devorarem a Casa do seu Senhor e não tocam o sino de alerta. Quando o Senhor da Casa voltar os mordomos serão cobrados na proporção do seu munus, pois, e conforme Ele mesmo disse: ''Mas àquele a quem muito foi dado, muito lhe será exigido; e àquele a quem muito se confia, muito mais lhe pedirão'' (LC 12:48, ''b''). É bom que os líderes e lideranças cristãs do Brasil acordem, saiam dos seus casulos e desempenhem o seu papel de verdadeiros mordomos-líderes com a máxima urgência e gravidade possíveis.
JOÃO ANTÔNIO SANTA ROSA é advogado em Santo Antônio da Platina


