O presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, engabelou os presidentes do Brasil e da Turquia ao utilizar-se de um sofisma anunciando ao mundo um acordo pífio, sem qualquer valor para a comunidade internacional, haja vista que os seus signatários não tinham sequer aval ou procuração da ONU para tratar de um assunto de tamanha envergadura e de enorme interesse para todo o planeta.
O presidente Lula, sabe que o Brasil possui enormes problemas sociais internos, como a saúde, educação e segurança. Assim, se o governo canalizasse toda a sua energia para resolver os nossos problemas internos em vez de gastar o nosso precioso tempo e dinheiro em assunto que não lhe compete, certamente todo o povo brasileiro lhe agradeceria.
No dia 10 de junho, o assunto Irã veio à pauta sendo submetido à apreciação do Conselho de Segurança das Nações Unidas, fórum este sim, competente para tratar de assunto desta magnitude e complexidade. Naquela reunião foi confirmado o que todos já se sabiam, ou seja, que somente Brasil e Turquia votariam contra as sanções ao Irã, e as demais 12 nações votariam a favor da resolução, enquanto o Líbano iria se abster.
A pergunta que não quer calar, é a seguinte: será que os 12 países que votaram a favor das sanções contra o Irã estão errados e só o Brasil e a Turquia estão certos? Evidente que existem fortes indícios que o Irã sendo um país com fortes tendências à beligerância e com problemas com Israel, tenha interesse em desenvolver as suas próprias armas nucleares, muito embora negue veementemente essa intenção.
Ninguém pode negar que infelizmente os nossos dirigentes são muito ingênuos em matéria de relações internacionais, sendo fato inegável que o esperto presidente do Irã usou politicamente o nosso país como suporte para tentar passar confiança ao mundo, um acordo inócuo e sem qualquer valor para os demais países que compõem o Conselho de Segurança das Nações Unidas, entidade que tem a responsabilidade sobre a segurança mundial, por meio do controle externo aplicando-se o sistema de freios e contrapesos.
Necessário ressaltar que além dos dez membros rotativos que têm mandato de 2 anos, entre eles o Brasil, o Conselho de Segurança é composto por 15 membros, sendo 5 permanentes: os Estados Unidos, a França, o Reino Unido, a Rússia e a China, sendo que cada um destes membros tem direito de veto e todos votaram a favor das sanções, e fizeram certo, porque daqui a pouco até o Hugo Chávez poderá ter armas nucleares.
Por que o Brasil com tantos problemas internos para resolver precisa entrar em uma disputa desta magnitude se sequer possui procuração para tal empreitada? A resposta é uma só: ''busca de holofotes''. Todavia, o ''tiro saiu pela culatra'', e o nosso país foi desnecessariamente exposto e desqualificado internacionalmente como mediador.
O Brasil não poderia ter assumido uma exposição dessa magnitude e, sobretudo, deveria ter a humildade de admitir o fracasso, sem insistir em um resultado positivo de um acordo que sabia não valer para a comunidade internacional. Será que só ele está certo e os outros é que estão errados? O presidente Lula precisa entender que desta guerra ele não entende e que o Brasil já tem problemas demais para resolver.
Destarte, não se pode admitir que em um país em que muita gente vem morrendo vítima da violência urbana por falta de segurança, nas filas dos hospitais por falta de leitos e, nos acidentes, em razão das péssimas condições das estradas, tenha a pretensão de tratar de assuntos externos, antes de resolver os seus próprios problemas, sobretudo quando o seu dirigente sequer possui procuração para tal, como ocorreu neste falacioso acordo do Brasil com a Turquia e o Irã.
ANTONIO FIDELIS é advogado em Londrina

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