Lições da Copa do Mundo
É incrível como a força de um evento esportivo como a Copa do Mundo de futebol mexe com o comportamento de toda uma nação, deixando uma grande maioria eufórica, engajada nas mais diversas formas de decoração em verde e amarelo. Não sou contra esta movimentação, pelo contrário, sou um dos primeiros a sentar-se em frente ao televisor, com olhos fixos e ouvidos ''seletivos'' para escutar apenas a narração do jogo, por mais altos que possam ser quaisquer outros ruídos. Mas o que me chama a atenção é a mobilização coletiva desta nação em prol da cultura criada em torno da Copa do Mundo e de nossa seleção versus andamento normal de um dia de trabalho.
Sabemos que tudo contribui para que o país pare. O banco, o comércio, os clientes, as escolas, enfim, tudo para. Quando, em outra oportunidade, vemos tamanha movimentação em um único objetivo? Na escola, na associação de pais e mestres? Nas igrejas com 100% dos fieis? Nas reuniões de um condomínio residencial? Em nossa associação de lojistas? Raramente uma grande maioria se põe em prol da coletividade.
Aquela determinação de um movimento coletivo que temos no dia dos jogos, não é colocada em prática em inúmeras ações que realmente a necessitam. Nossa posição, muitas vezes, é pautada por conceitos como ''isso não vai mudar nunca'' ou ''não adianta, sempre foi assim''. Acredito que esta seja uma das lições a se aprender em um evento como este: a movimentação coletiva em prol de um bem comum.
LEANDRO BERNARDI é presidente da Associação de Lojistas do Catuaí Shopping em Londrina


Quando há união de sentimento
A atenção do mundo centralizada num mesmo acontecimento gera uma poderosa sinergia, capaz (quando boa) de elevar o padrão vibracional e higienizar a atmosfera mental que circunda o planeta. Isto acontece quando um evento comove a humanidade, quando ocorre um movimento conjunto de solidariedade, quando cessa um conflito entre nações, quando se manifestam pensamentos comuns em defesa de um benefício global, e mesmo quando tragédias assolam populações gerando a comoção das multidões. Porque há uma união de sentimento e isto se converte em vigorosa força.
Pensar e sentir coletivamente desencadeia uma vibração de grande poder e promove consequências, tanto em sentido bom como o oposto, dependendo da qualidade desses pensamentos e sentimentos. Estes dias de Copa do Mundo estão movendo energias muito positivas, porque as competições não são batalhas de resultados penosos, como as guerras (embora o ardor dos disputantes), mas uma salutar confraternização. Jogadores e torcidas mesclam-se, ornamentam-se festivamente, cantam e dançam, reconhecem-se como coirmãos e, ao final, saem juntos sem se molestarem.
A unificação de sentimento é nacional e toca cada nação disputante da Copa, mas é também universal em face do ponto focal que neste movimento motiva uma grande parcela da comunidade planetária. Bandeiras de povos diferentes são desfraldadas, seus hinos são cantados e todos os respeitam. As nações se enriquecem e se desenvolvem também por eventos dessa natureza. Sempre sobram valiosos ensinamentos, e na Copa da África do Sul mensagens tocantes foram ouvidas e valores foram exaltados. Este é também um momento de sofridos africanos darem seu grito para anunciar que são cidadãos do mundo e estão presentes. Quando um brado é ouvido por todo o mundo quintuplica-se de poder.
Em campo, é natural que os que perdem se entristeçam e os que vencem fiquem felizes, mas ganhar ou perder são resultados previsíveis e não denigrem e nem fazem superior um povo. Na avaliação dos resultados, quem perde também contribuiu para a vitória do adversário. Então, todos são vencedores.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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