ESPAÇO ABERTO
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segunda-feira, 07 de junho de 2010
Nivaldo Kruger 
Vivemos num tempo em que, a par do progresso extraordinário da ciência, da tecnologia, dos meios de comunicação e de transporte, não aconteceu, como deveria, um maior avanço do conhecimento para o ser humano. Tampouco foram consolidados valores conquistados ao longo dos séculos.
Ao que tudo indica, mergulhamos numa era de mediocridade e vulgaridade. O indivíduo massacrado por uma avalanche de informações não consegue digeri-las, voltando-se apenas para seu círculo restrito de relacionamentos familiares, de amigos ou de trabalho. Torna-se, assim, indiferente ao que se passa no mundo, no seu país, no seu Estado e até mesmo no seu município, o que em política lhes traz efeitos desastrosos. Assim, torna-se joguetes de governantes inescrupulosos, ambiciosos e populistas.
Surge desse modo o paradoxo dos tempos modernos: enquanto a informação é disseminada como nunca na história, as pessoas são geralmente desinformadas e seu foco de atenção é dirigido às amenidades ou ao entretenimento de baixo nível, geralmente veiculado pela televisão.
Nesse contexto valores se perdem, e outros ainda não foram plasmados para repor as perdas. Em todo planeta, e o Brasil não foge à regra, prevalece o ter sobre o ser. Interessa apenas o que se pode possuir materialmente e a felicidade, se supõe equivocadamente, pode ser comprada em suaves prestações a perder de vista numa loja de departamentos, nos shoppings ou nas concessionárias de automóveis. Nessa época da pressa e da superficialidade dos relacionamentos é consumindo que se pensa poder preencher vazios emocionais e carências de ordem psicológica, enquanto parâmetros de conduta são perdidos.
Se a prosperidade é de fato um dos componentes do bem-estar individual e, sobretudo, num país como o nosso as desigualdades sociais devem merecer do poder público políticas capazes de amenizar os contrastes de renda pelo tripé trabalho, saúde e educação, por outro lado é de se lamentar que paire a indiferença ou o desconhecimento sobre valores como dignidade, honra, amor à pátria e respeito à vida. Em tal contexto, a violência se torna avassaladora, a corrupção intensificada e é aprofundada a indiferença à lei e ao sistema democrático.
A democracia, sistema que contém as liberdades civis e de mercado, a igualdade de oportunidades, o pluripartidarismo, o direito de escolher os governantes pelo voto livre e universal é ainda no Brasil uma plantinha frágil que deve ser cultivada com cuidado. Democracia não é algo para ser consumido como uma geladeira ou um aparelho de TV. É valor que precisa ser protegido, preservado e acrescido. Pois se os totalitarismos do século passado ficaram na triste memória dos que assistiram ao que foi o comunismo e o nazismo, outras formas de autoritarismo que prometem o céu e ofertam o inferno ressurgem aqui e ali ou se mantêm, inclusive, na América Latina, empesteando com seu mau exemplo os países onde a democracia, mesmo de forma imperfeita, é praticada.
É importante que se compreenda que a democracia é mais que um sistema político, porquanto é um modelo de vida, uma concepção de convivência civil e igualitária em que o respeito e a dignidade do ser humano estão acima de tudo. É preciso que sejam estimuladas formas responsáveis de representatividade, para que não seja confundido o exercício democrático do poder com formas de dominação disfarçadas de populismo, essa patologia política que simula defender o bem comum, mas que apenas conduz à locupletação dos governantes.
NIVALDO KRUGER é secretário especial de Desenvolvimento Florestal do Paraná


