Aposentadorias especiais
O governo Lula enviou um projeto de lei ao Congresso Nacional concedendo um auxílio mensal de até R$ 3.416,54 e uma premiação de R$ 100 mil aos jogadores campeões das Copas do Mundo de 1958, 1962 e 1970, alegando que em outras Copas os jogadores já podiam usufruir de ganhos maiores no exterior e no Brasil. Medida injusta e demagógica, pois, embora esses jogadores sejam ídolos eternos do país do futebol e do carnaval, outros cidadãos que contribuíram muito para o desenvolvimento do Brasil, também merecem ser agraciados com esse tipo de medida, se a sociedade pudesse arcar com os custos delas.
Há um número enorme de participantes vitoriosos em olimpíadas que passam por dificuldades; muitos operários que construíram Brasília, orgulho dos brasileiros; donas de casa que deram a própria vida formando cientistas, doutores, professores e tantos outros que nada possuem e que não receberam nada dos governantes de plantão. Essa parece ser uma medida oportunista, eleitoreira e altamente demagógica que fere o princípio constitucional da igualdade de todos perante a lei.
Não cabe aqui questionar os méritos desses grandes e valorosos campeões do mundo que fizeram muito pelo engrandecimento do país, cabe porém questionar a validade dessa medida, a oportunidade e as exclusões injustas que ela provoca no seio da comunidade desportiva e da sociedade em geral.
É lamentável que esse tipo de pensamento chegue às Casas de Leis do país, onde se deve pensar no futuro das novas gerações e no desenvolvimento do Brasil, na liberdade de expressão de pensamento e nos geradores de novos empregos para os brasileiros. Existem famílias morando em favelas horríveis com barracos feitos em cima dos depósitos de lixo. Onde estão os governantes? Onde estão os religiosos? Onde estão as ONGs e demais entidades? Afinal, este é um país para todos ou para os compadres dos poderosos e das elites dominantes?
SERVIO BORGES DA SILVA é advogado em Londrina



Castidade sem desejos

  Cas­to ­quer di­zer pu­ro. Daí a ex­pres­são cas­ti­da­de. Mas a abs­ti­nên­cia de se­xo não é pu­re­za se o de­se­jo per­sis­te. Nes­te ca­so, abs­ter-se é ape­nas um com­por­ta­men­to e não um ­grau de evo­lu­ção. A abs­ti­nên­cia com von­ta­de re­pri­mi­da não dei­xa de ser um sa­cri­fí­cio, mas não é cas­ti­da­de no sen­ti­do mul­ti­di­men­sio­nal da pa­la­vra.
  Não se po­de con­de­nar ­quem op­ta por abs­ter-se do se­xo. E fa­zer se­xo não é im­pu­re­za. ­Mais que is­so, ele tem efei­to rea­li­nha­dor do cor­po fí­si­co e po­de le­var a cu­ras. Mas a mul­ti­pli­ci­da­de de par­cei­ros com que a pes­soa se en­vol­va não é uma boa prá­ti­ca, por­que em ca­da re­la­ção as ener­gias ele­tro­mag­né­ti­cas do par mes­clam-se, e se não hou­ver ­amor, sen­ti­men­to e emo­ção, com equi­va­lên­cia da vol­ta­gem de fre­quên­cia do ca­sal, ocor­rem cir­cui­tos e de­sar­mo­nias vi­bra­tó­rias. (É bom ler so­bre se­xo tân­tri­co).
  A con­jun­ção car­nal acio­na vi­go­ro­sa ener­gia, e não por aca­so é a ge­ra­do­ra da vi­da. É a ener­gia íg­nea de kun­da­li­ni, ca­na­li­za­da em nos­so cor­po por via do cha­cra bá­si­co, lo­ca­li­za­do na ex­tre­mi­da­de bai­xa da co­lu­na ver­te­bral. É um pon­to for­te do nos­so pri­mei­ro cor­po. Di­ze­mos pri­mei­ro por­que pos­suí­mos se­te cor­pos (qua­tro in­fe­rio­res e ­três su­pe­rio­res). Por is­so so­mos in­fi­ni­ta­men­te maio­res do que nos su­po­mos. ‘‘Co­nhe­ce-te a ti ­mesmo’’ tra­duz-se por sa­ber o que so­mos.
  A ener­gia se­xual, que so­be e des­ce pe­los ca­nais do cor­po, é po­de­ro­sa e de­ve ser usa­da com pru­dên­cia. Ex­ces­so de se­xo de­sor­de­na­do ou abs­ti­nên­cia for­ça­da po­dem le­var a de­se­qui­lí­brios ex­tre­ma­dos. Já o je­jum car­nal sem de­se­jos (que é ob­ti­do não pe­la re­sis­tên­cia mas pe­lo na­tu­ral au­to­do­mí­nio) é um es­ta­do de su­pe­ra­ção. É quan­do os ape­ti­tes da fi­si­ca­li­da­de dei­xam de ter re­le­vân­cia. Cas­ti­da­de é, por­tan­to, uma gra­dua­ção. Quan­do evo­luí­mos pa­ra a cons­ciên­cia dos nos­sos cor­pos su­tis (os ­três su­pe­rio­res), as im­pul­sões da car­ne per­dem in­ten­si­da­de.
  A ener­gia de kun­da­li­ni é co­mo um fo­go trans­for­ma­dor. É a nos­sa luz en­cur­va­da ain­da em for­ma de som­bra e que tem o sim­bo­lis­mo de uma ser­pen­te. O po­vo adâ­mi­co ­veio à Ter­ra tra­zen­do es­se ‘‘pe­ca­do de ­origem’’ em seu cor­po den­so (o pri­mei­ro cor­po), daí a sim­bo­lo­gia da ser­pen­te ten­ta­do­ra.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

mockup