ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Juliara Aparecida Gonçalves 
Os fiéis católicos se entristessem diante das notícias veiculadas pela mídia. Um padre conhecido nacionalmente e grande comunicador da palavra de Deus ''caiu'' e, principalmente, os que se dizem cristãos e se consideram os guardiões da moral são os primeiros a se munirem com pedras nas mãos.
A decepção certamente nos abala, aflige-nos o coração, choca-nos e aí questionamos: ''Deus como pode ser isso? Justo este sacerdote que a tantos converteu e consolou?''. É exatamente isso, um instante de vacilo e tudo, absolutamente tudo de bom que este sacerdote fez pela Igreja e por muitos individualmente foi esquecido. Todo o passado ilibado e sem mácula, digno, é apagado por um ''escândalo'' ainda não esclarecido.
Não conheço este sacerdote pessoalmente, portanto, não lhe posso atestar a honra, mas conheço o meu Deus, um Deus de misericórdia e perdão, que em Lucas 5, 20 diz: ''Vendo a fé que eles tinham, Jesus disse: 'Homem seus pecados estão perdoados'''. A boca só fala daquilo que o coração está cheio, então como posso duvidar que o coração desse sacerdote não esteja cheio do Deus que sua boca proclama? Como posso e com que autoridade? Acaso a alguém Deus concedeu sabedoria tamanha? Santidade tamanha para julgar e condenar com equidade e justiça?
Não sejamos hipócritas, será que somos o mesmo povo de 2000 anos? Será que não aprendemos nenhuma das lições deixadas por Nosso Senhor Jesus Cristo? Parece-me que não, pois vejo nas ruas pessoas com pedras nas mãos para atirar contra o sacerdote e a Igreja Católica como se estivessem, ou devessem estar, imunes ao demônio. Como se o povo de Deus não fosse o principal alvo das tentações, como se não fôssemos todos um povo santo e pecador.
De maneira a esquecer a própria palavra de Deus, a lição maior de Jesus que consiste na humilhação da cruz, que ao sofrer tais atrocidades nos deixou uma mensagem clara: ''Sou Teu Deus, reconheces que em nada és maior que a Mim''. Ou seja, nem na humilhação. Mas somos soberbos e continuamos como aquele povo, nos consideramos os melhores, e assim no primeiro vacilo do nosso irmão apontamos o dedo, dirigimos a ele nossa pedra.
Todos queremos ser tratados com amor e respeito, mas quando isso nos é solicitado, ou seja, quando estamos diante de uma situação em que o outro precisa do nosso respeito e amor - e não estou aqui falando em conivência com o erro alheio -, simplesmente negamos nossa compaixão preferindo o ataque impiedoso ao que já está caído. Isso não se coaduna com o ser cristão, menos ainda quando os ataques pretendem atingir todos os sacerdotes indistintamente. Todos temos nossas profissões e bem sabemos das diferenças individuais que existem no exercício realizado por cada profissional, e nem por isso há descrédito aos demais.
Hoje Londrina age da mesma forma do povo em Jerusalém, cuspindo e escarnecendo enquanto um representante de Cristo, um homem que a muitos converteu, caiu diante do inimigo pela primeira vez. Não estou aqui para isentá-lo de culpa, isto deixo para a justiça dos homens, porque a justiça de Deus somente dirá respeito ao Criador e sua criatura. Mas pretendo fazer cada qual refletir sobre as próprias falhas, as pedras estão nas mãos prontas para o arremesso, mas e na consciência de cada um o que nos vai? Muitos dirão ''eu não tenho pecados'', ou ainda, ''meus pecados em nada se comparam aos desse herege'', e assim reivindicamos um direito que cabe exclusivamente a Deus, que com certeza ao final olhará este filho e dirá: ''Pode ir e não peques mais''.
JULIARA APARECIDA GONÇALVES é advogada em Londrina


