Violência, drogas e impunidade
Merece aplauso e reconhecimento de todos a oportuna entrevista da desembargadora Lídia Maejima (''Legislação penal é branda e defasada'' Opinião, pág. 3, 02/05) que deu uma ''receita lúcida e correta'' para reduzir a violência e a impunidade que se instalaram de forma devastadora em nosso País. A magistrada sugeriu ''adequar a legislação penal à realidade brasileira, pois a legislação penal é branda e defasada'' e ''aplicar penas mais pesadas''.
Ouso acrescentar às sugestões da magistrada que as escolas voltem a transmitir com afetividade palestras educativas que orientem as crianças e os jovens na formação de caráter, tais como: civismo, cidadania, valorização dos símbolos nacionais, família, berço, religião, educação, escola, ideal, nação, nacionalidade, justiça, solidariedade, práticas esportivas. Que as entidades e os clubes de serviços continuem a apoiar as campanhas de combate às drogas e ao álcool, além da melhoria, incentivo e apoio aos centros de recuperação de viciados, dentre outras.
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) deve adaptar-se à realidade, pois como está os professores se sentem cada vez mais amedrontados, além de intimidados e desrespeitados pelos jovens. Para atingirmos tais objetivos precisamos exigir dos novos dirigentes (deputados e senadores) uma reformulação profunda na nossa legislação para que haja efetivamente segurança, sáude e educação - o tripé de uma sociedade justa e equilibrada! Nosso Código Penal, criado em 1940, é retrógrado, leniente e permite abusos.
A população precisa se conscientizar que são os nossos legisladores os verdadeiros responsáveis por este ''estado de coisas''. Cabe aos juízes e promotores a aplicação da lei; às autoridades policiais o cumprimento das mesmas. Finalmente, aos chefes de Executivos cabe administrar honesta e corretamente os serviços públicos, procurando se colocar na vanguarda dos anseios e do bem-estar da população.
As famílias necessitam compreender e exigir que os atuais e os futuros legisladores elaborem novas leis para acabar com a impunidade, a causa de todos os males da nação brasileira.
HENRIQUE ALVES PEREIRA JUNIOR é médico em Londrina


A nostálgica voz dos sinos

Já escrevi que os sinos são tão necessários quanto os jornalistas. Porque ambos têm a função de informar que algo aconteceu ou vai acontecer. Falo dos sinos com muito carinho e nostalgia porque nos anos de minha adolescência fui batedor de sino em minha pequena cidade natal. A incumbência era tocar às 6 da manhã (e eu precisava me levantar bem antes, mesmo naquelas duras madrugadas de inverno sul-catarinense), tocar ao meio-dia e na hora da Ave-Maria.
Eu também batia o sino quando morria gente. Sino tocado fora de hora não era notícia boa. Em dez minutos a vila inteira estava ao pé do morro (porque no alto estava a igreja) para aguardar minha descida e saber quem havia morrido. Eu não só anunciava as mortes como repicava o sino enquanto o cortejo levava aquelas boas criaturas para a outra morada. Mas eu também anunciava coisas alegres, como as batidas anunciando a missa grande, às 10hs do domingo, quando os homens usavam os ternos e seus chapéus de grife Prada e Ramenzoni e as mulheres ostentavam seus mais belos vestidos e sapatos. E água de cheiro.
Badalar exige aprendizado. É preciso puxar a corda com um embalo cadenciado e soltá-la no ritmo daquele pesado sino voltando. Uma brecada imprudente pode arrebentar a corda ou arrancar a pele das mãos do sineiro. Na hora de parar é preciso medir a intensidade do vaivém e ir brecando gradativamente. Sino é como gente: gosta de ser acarinhado.
Só acho um pecado que certas igrejas católicas não usem sinos, mas gravações deles, como no templo de minha circunscrição paroquial, no alto-sul da Avenida Higienópolis. Descobri que era gravação pela parada repentina. Tudo bem que não seja o som original, mas no final tem de ser aquele soar longo, como de algo que vai indo embora mansamente e não como se uma mão repressora cortasse o som de maneira brusca. Melhor seria sino de verdade, mas se não for possível, peço ao padre que faça outra gravação deixando estender-se aquele toque lânguido das últimas badaladas. Há uma magia indescritível nessa melodia derradeira que vai desaparecendo ao longe suavemente.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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