ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 18 de maio de 2010
Alexandre Campos Carbonieri 
A Justiça Eleitoral ainda não liberou as campanhas políticas segundo o calendário oficial, mas os brasileiros já se encontram em meio a um bombardeio sugestivo de ''possíveis'' presidenciáveis. Esse desespero dos candidatos se pauta pela corrida para garantir um trunfo fundamental para se ganhar eleições neste País, ou seja, a conquista do eleitorado pelo carisma do candidato. Sim, conquista, pois como já disse o sociólogo Max Weber, a liderança carismática só é possível pela aceitação livre por aqueles que serão liderados, e tal carisma só pode perdurar se for confirmado pelas ações. Assim, é um trabalho árduo para quem nasce sem esse ''dom''.
Nesse ínterim, surgem todos os anos figuras esdrúxulas que levam as eleições a um nível de comédia trágica já conhecida por quem se arrisca a assistir ao horário eleitoral na TV. Na política brasileira, gente como Maluf, Clodovil, Collor e Frank Aguiar são casos famosos de candidatos que se elegeram para cargos públicos importantes usando um suposto carisma para influenciar o eleitorado. E os líderes carismáticos de fato, como Vargas ou Lula, entram, bem ou mal, para a história do Brasil como heróis.
Sabemos que essa estratégia eleitoreira, infelizmente, é fundamental num país que tem um Estado fraco politicamente, envolto a uma história política corrupta e decepcionante. Um país que, lamentavelmente, investe pouquíssimo em educação e que tem em seu povo um cultivado desgosto pela política. Num contexto assim, vale muito o carisma do pretenso líder político, haja vista que não há, de forma geral, uma real preocupação em conhecer as propostas do candidato, sua história política, ideologia de partido, resultado de debates, etc.
Aliás, por estarmos vivendo num governo atual 100% baseado no carisma do líder Lula, ''o cara'', esta estratégia é ainda mais previsível. Exemplo contrário disso é a Inglaterra, que tem no seu histórico eleitoral decisões de urnas obtidas por meio de debates na TV. Ou seja, o candidato vencedor será o que se apresentar mais bem preparado em situações de conflitos causadas nesses debates.
Por aqui, nos braços de Lula, vem a ex-ministra Dilma Rousseff que é extremamente fraca e inexperiente para ser a chefe de Estado de um país como o Brasil. Apesar de ser desconhecida do povo em geral, ela que vem colada ao símbolo máximo da liderança carismática e usa isso a seu favor, como por exemplo, o fato de ser uma mulher que pretende dirigir o país num estilo supostamente novo no Brasil. Mas deve tomar cuidado, pois não pode passar muito a imagem de uma novidade, uma mudança, já que é do partido governista e está ligada a ele como unha e carne.
O tucano José Serra peca no carisma, não tem nenhum, embora procure obtê-lo participando de eventos que, em tese, o levem ao coração brasileiro sedento por um líder carismático. É o caso da recente aparição no programa CQC da Band, que fez uma sabatinada indiscreta com ele. Porém, apesar da falta de carisma, Serra tem experiência comprovada e é figurinha carimbada na política.
Já Marina Silva (PV), que provavelmente irá também usar a seu favor o fato de ser do sexo feminino, tem seu carisma cultivado há tempos, mas com fama de briguenta, mal humorada e peca no visual, nada carismático. Muito ligada aos evangélicos, acabará se fechando num beco segregado por ela mesmo dentro das igrejas neopentecostais. Fato que, líder assim, só aos evangélicos pode interessar e, talvez, nem a eles.
Num país em que o carisma pessoal conta tanto para uma eleição, mostra-se, tristemente necessário começar já a construir o seu, mesmo que para isso acabe-se passando por cima da lei eleitoral, inclusive a exemplo dado pelo chefe de Estado.
ALEXANDRE CAMPOS CARBONIERI é sociólogo e professor em Londrina


