ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Dom Orlando Brandes 
1. O padre é um grande benfeitor da humanidade. Deus lhe conferiu o poder de destruir, anular e apagar o mal pela absolvição. O mal é vencido pela misericórdia. O padre é mestre da doutrina, sacerdote do culto e ministro da caridade.
2. O sacerdote está a serviço da nova humanidade em Cristo. Sua vida harmoniza em si grandes cargos e profundas alegrias. É ordenado para ordenar o mundo e administrar os mistérios de Deus mesmo sendo vaso de argila. O padre é um perito de Deus e médico das feridas do coração e da alma humana.
3. O padre preside a Eucaristia para doar sua vida ao povo. Nele as crianças, os jovens, os doentes, os pobres, os pecadores encontram o bom samaritano, o amigo, o irmão, o mestre, o pai. O padre é humano, não é anjo nem demônio. É o eleito de Deus para lavar os pés do povo.
4. O padre, mesmo sendo ''médico ferido'', é instrumento da graça e das maravilhas de Deus. A ordenação sacerdotal é bênção e luta, é dom e tarefa, graça e esforço pessoal. Um padre feliz é propaganda de Deus e de vocações.
5. A ordenação não imuniza o padre de fraquezas, erros e pecados, porém, o padre é mais que suas fraquezas. Maior é a graça. Deus o quis, achou-o digno de confiança, conquistou-o e a ele se afeiçoou. Todo padre é alegria de Deus e servidor da alegria, da esperança e da consolação. Ele deve oferecer sacrifícios pelos próprios pecados e os do mundo inteiro.
6. Dai-nos Senhor, ''santos pastores e dignos ministros''. João Paulo II convida os padres a ''subir o tom da vida sacerdotal'', sendo mais santos, mais alegres e mais apaixonados por Jesus Cristo. É melhor uma diocese vazia de padres que cheia de padres vazios.
7. Um sacerdote conquistado por Cristo Jesus, conquista outros para fazerem a mesma experiência. Jesus reza pelos padres para que apascentem o rebanho livremente, por dedicação e como modelos do povo.
8. O padre precisa da amizade com Deus, com o povo e com os colegas padres. Ele é pai da comunidade, ponte entre Deus e o mundo, membro do presbitério, sua nova família.
9. O povo tem direito a ter padres sadios, sábios, servidores e santos. Humanamente equilibrados, espiritualmente fortes, culturalmente atualizados, vocacionalmente alegres, socialmente comprometidos, pastoralmente animados e existencialmente realizados.
10. Os artistas e demagogos fazem o povo chorar porque dizem ''mentiras como se fossem verdades'', os padres não comovem o povo porque dizem ''verdades como se fossem mentiras''. Só quando o padre é homem da Palavra, ele se torna homem de palavra. Ele não fala palavras, mas a Palavra, é voz da Palavra.
11. O padre depende de Jesus, é propriedade do Senhor, porque foi consagrado. No vaso de argila que é o padre está o amor de Deus exagerado e extremado pelo mundo. A ovelha não produz lã para si, a abelha não faz o mel para si, a ave não faz ninho para si. Assim, o padre não existe para si. Ele pertence a Deus e ao povo. A carne do padre é de Jesus a quem ele se consagrou.
12. O padre, perito nas coisas de Deus, com a força da oração, vence a ingratidão, a rejeição e a rebelião das pessoas. O amor do coração sacerdotal com o coração de Jesus, deve chegar ao coração do mundo, porque Jesus é o ''Coração dos corações humanos''. Eis a beleza, a alegria e missão do sacerdote.
13. Todo padre pode dizer: Jesus me alcançou, conquistou, fascinou. O padre é alguém que transpira Cristo. ''Como é assustador ser padre'' (S. João M. Vianney). Quem vai à padaria quer pão, vai à farmácia quer remédio, vai ao açougue quer carne. Quem vai ao padre quer Deus. Quem tem fé vê Deus no padre.
14. Padre zeloso, povo ardoroso. Padre bom, povo feliz. Padre pastor, povo evangelizado. Padre profeta, povo consciente. Padre orante, povo fervoroso. Padre santo, povo santo. Eis a lei do sacerdócio ministerial. Todo trabalho do padre é um ato de amor, um ofício de amor - a caridade pastoral.
DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina


