Mudanças sociais demandam políticas sociais
Londrina passa há alguns anos pela crescente crise de segurança pública. Todos os dias a cidade vivencia mortes e assassinatos de jovens, em sua maioria envolvida com o crime. As influências sociais se sobrepõem às bases delimitadas pela família, que há muito vem perdendo sua fibra moral e ética. A família delega à escola a responsabilidade por educar seus filhos. A escola, sobrecarregada com os diversos papéis que lhes são atribuídos, não tem as condições necessárias para oferecer atrativos a esses jovens.
Pais e mães trabalham pelo sustento familiar. Quem educa nossos jovens? A escola? Em média os alunos de classes sociais baixas passam 4 horas na escola, portanto é no mínimo negligente atribuir à escola esta responsabilidade. Se a escola não é atrativa e os pais não estão presentes, quem cuida dos nossos jovens? Quem impede que as doenças que afligem a sociedade não os contagiem?
É corriqueiro o discurso falacioso de que a educação é a solução para os problemas sociais. No entanto, não é possível identificar programas sociais abrangentes dos quais suscite uma educação de qualidade, pois os mesmos em sua grande maioria são medidas paliativas apresentados como trunfos em épocas de eleição (exemplo: projeto de lei 434/2009).
Para os próximos anos já podemos contar com inúmeras notícias em que os protagonistas serão jovens bandidos que matam, roubam e algumas vezes, que morrem, deixando como legado uma série de reportagens exibidas em redes locais de notícias, que se alegam no direito e muitas vezes no dever de expor e rotular tais jovens: são bandidos. É cômodo criticar e rotular. Usa-se o rótulo como o aval para que morram esses jovens. A realidade que os leva a esse tipo de conduta não é levantada, discutida ou investigada. Basta dizer que são bandidos, e que morre mais um bandido, pois bandido não é gente, não tem história, e essa história não é permeada por fatores sociais, que envolvem as fragilidades e lacunas de nossas políticas sociais.
RAQUEL GAMERO é professora voluntária de língua inglesa para inclusão social na Sociedade Amigos do Jardim Morumbi e adjacências e mestranda em Estudos da Linguagem na Universidade Estadual de Londrina



Os fe­nô­me­nos não de­ci­fra­dos

  Até ­aqui a ciên­cia con­ven­cio­nal não ha­via da­do im­por­tân­cia aos re­la­tos acer­ca de pes­soas que vi­vem sem ali­men­ta­ção e sem ­água, mas ago­ra cien­tis­tas e mé­di­cos da Ín­dia es­tão in­tri­ga­dos com o io­gue oc­to­ge­ná­rio que diz ter vi­vi­do se­ten­ta ­anos sem co­mer e sem be­ber e sem fa­zer as ne­ces­si­da­des fi­sio­ló­gi­cas. Tra­ta-se de Prah­lad Ja­ni, de 83 ­anos, ago­ra sob a ob­ser­va­ção de trin­ta mé­di­cos, que tes­te­mu­nha­ram o fe­nô­me­no.
  Se ele não ti­ra sua ener­gia dos ali­men­tos e da ­água, de­ve ti­rá-la de ou­tras fon­tes, pro­va­vel­men­te o sol - de­cla­rou um es­pe­cia­lis­ta em fi­sio­lo­gia e que par­ti­ci­pa des­se es­tu­do, que é con­du­zi­do pe­lo Mi­nis­té­rio da De­fe­sa da Ín­dia. E por que es­se Mi­nis­té­rio? Por­que ­quer ti­rar li­ções so­bre a so­bre­vi­vên­cia de mi­li­ta­res ví­ti­mas de tra­gé­dias em lu­ga­res iso­la­dos.
  Se­te ­anos ­atrás uma equi­pe mé­di­ca já ha­via pas­sa­do dez ­dias com o an­cião, cons­ta­tan­do que ele não pre­ci­sa­va co­mer e nem be­ber e go­za­va de boa saú­de. O ca­so não é no­vo, ­pois exis­tem re­la­tos de ou­tros ­seis mil, ­mais ou me­nos se­me­lhan­tes, in­clu­si­ve no Bra­sil. Co­mo is­so ocor­re é um mis­té­rio que até ago­ra a ciên­cia e a me­di­ci­na ma­te­ria­lis­tas não con­se­gui­ram ex­pli­car.
  O epi­só­dio da Ín­dia, se na­da de­ci­fra à luz dos li­mi­tes co­nhe­ci­dos da ciên­cia, ao me­nos re­ve­la que pou­co se sa­be so­bre o cor­po hu­ma­no. Pa­re­ce que já não ca­bem de­bo­ches so­bre es­se in­tri­gan­te enig­ma, tan­to que aque­les mé­di­cos e cien­tis­tas se adian­ta­ram e re­sol­ve­ram fa­zer uma in­ves­ti­ga­ção. Cer­ta­men­te acha­ram me­lhor en­ca­rar o fe­nô­me­no do que con­tes­tar em­pi­ri­ca­men­te.
  Es­ta­ria ape­nas nos ali­men­tos e na ­água a ener­gia que sus­ten­ta as cé­lu­las, ou ­elas po­dem nu­trir-se tam­bém de com­bus­tí­veis des­co­nhe­ci­dos? O me­ca­nis­mo uni­ver­sal se mo­ve por ener­gias que o ho­mem ain­da não co­nhe­ce, e o sis­te­ma hu­ma­no faz par­te do pro­ces­so.
  Se a ciên­cia ofi­cial mal en­ga­ti­nha na bus­ca do co­nhe­ci­men­to dos or­ga­nis­mos vi­vos e do que os man­têm, é pru­den­te não fe­char a por­ta das pos­si­bi­li­da­des. O mis­té­rio da vi­da e do or­de­na­men­to uni­ver­sal é com­ple­xo, e ser ne­nhum, mes­mo das ­mais ele­va­das di­men­sões do Cos­mo, ja­mais irá des­ve­lá-lo. Por­que sem­pre ha­ve­rá al­go des­co­nhe­ci­do ­mais adian­te.
WAL­MOR MA­CA­RI­NI é jor­na­lis­ta em Lon­dri­na

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