O mundo está em luto por ver que sua terra mãe, o planeta, agoniza após ter sido vítima de tantas atitudes perversas dos seus filhos - nós, que, ao longo dos anos, exploramos esta terra, estuprando-a e violentando-a de todas as formas. Em busca do prazer, do conforto, de gastar o mínimo possível de energia e da ''paz'' o ser humano industrializou o mundo, construiu armas, todo um arsenal tecnológico, máquinas de todos os tipos. Com isto, poluiu o ar, a água e produziu o efeito estufa. Hoje estamos agonizando com várias catástrofes, como os terremotos e vulcões que mostram toda sua força e vomitam o magma do centro das entranhas da terra, chuvas e tempestades que desmoronam tudo o que estiver no seu trajeto.
Estamos na UTI junto com o planeta e o ser humano ainda não começou a buscar reparação como deveria. Está confuso ao perceber que não é Deus e que não tem controle do mundo a sua volta. Aí, não conseguindo aplacar sua ferida narcisista, deixa que a perversão se aposse de si, rompendo com limites tão necessários à vida em grupo, escritos nos livros sagrados e passa a ter uma identificação projetiva com os fora-da-lei, sendo complacentes com estes e permitindo que expressem a sua crueldade, matando, roubando, extorquindo e cometendo os mais diversos desmandos.
Hoje vemos com toda clareza a inversão de valores. A classe produtiva que estuda, trabalha, cuida do meio ambiente e da qualidade de vida das pessoas e do planeta está morrendo em assaltos, sequestros e toda sorte de violência, própria de uma nação sem leis. Vemos isto muito bem delineado no Brasil. As autoridades fazem leis que beneficiam bandidos. O cidadão precisa viver dentro de casas que mais parecem prisões, cheias de grades para se proteger ou em condomínios que têm tantas fios de eletricidade e arames farpados em seus altos muros que mais parecem campos de concentração.
Não podemos nos defender com armas, mas os bandidos as têm, não podemos reagir aos assaltos, pois assim viramos os culpados. Ele reagiu, por isto o ''pobre'' bandido atirou! Não podemos nem mais defender nossas propriedades compradas com o suor do nosso rosto, como está na Bíblia, pois se invadida, temos que negociar com os invasores. A barbárie se apossou do país. Será que as autoridades têm consciência do que estão fazendo?
Desde o início do ano vemos tragédias acontecendo em todo o mundo. Todos os tipos de tragédias se agudizaram este ano e desta vez invadiram a nossa casa. No dia 12 de abril um aluno da Unifil foi assassinado brutalmente por três marginais em um assalto próximo ao portão da instituição.
Todos temos medo, sentimo-nos desprotegidos. A vida em nosso país perdeu o valor. Pedimos ajuda às autoridades por meio da reação emocional do nosso reitor Eleazar Ferreira que, como pai desta comunidade universitária, sente sua família ultrajada e não contendo sua angústia chora, mostrando sua dor diante de tantos desatinos, culminados com este infeliz acontecimento.
Este é um grito de socorro: autoridades, escutem a voz angustiada do seu povo. Valorizem seu potencial humano. Façam valer a lei neste país, pois só assim a vida em sociedade é possível e o amor pode florescer trazendo a verdadeira paz e harmonia aos nossos corações.
Tendo como modelo a trajetória bíblica para cumprirmos a missão maior que é nos curarmos por meio do amor como ensinou Jesus, precisamos antes da lei para aplacarmos o nosso lado animal, como está no antigo testamento.
DENISE H. TINOCO é coordenadora do curso de Psicologia do Centro Universitário Filadélfia (UniFil) em Londrina

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