ESPAÇO ABERTO
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sexta-feira, 30 de abril de 2010
Orlando Brandes 
A Palavra de Deus é o tema central do 16º Congresso Eucarístico Nacional que acontece um mais uma Assembleia Geral da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) que começa na próxima segunda-feira, em Brasília, estendendo-se até o próximo dia 13. Os outros temas chamados prioritários são: as Comunidades Eclesiais de Base (Cebs), a Reforma do Estado, o Acordo do Brasil- Santa Sé, a questão agrária, o movimento ecumênico, o Programa Nacional de Direitos Humanos.
As assembleias gerais da CNBB reforçam a vida espiritual e pastoral da Igreja e se debruçam sobre os problemas sociais na esperança de uma vida digna para todos, especialmente, os pobres.
A Palavra de Deus será o tema central por muitos motivos, primeiro, porque se realizou em Roma o Sínodo da Palavra. Segundo, porque a proposta de Aparecida é uma Igreja de discípulos missionários. Terceiro, porque ainda há muito analfabetismo bíblico entre nós. Quarto, porque a primazia da Palavra deve acontecer na família, na catequese e na liturgia. Quinto, porque a grande proposta hoje é a ''animação bíblica de toda pastoral''.
Pessoalmente, defendo um passo ainda mais corajoso, ou seja, ''uma mobilização bíblica nacional'', uma ''década bíblica''. A condição para sermos profetas, discípulos, missionários entusiasmados, é o contato diário com a Palavra de Deus: ''Bíblia na mão, no coração e pés na missão''. A Assembleia da CNBB não deveria preocupar-se em primeiro lugar com a realização de mais um documento. Pelo contrário, é hora de impulsionar, animar, motivar, reencantar os fiéis e a missão evangelizadora com a força da Palavra. Com ''um coração bíblico'' daremos um salto qualitativo na vida da Igreja, realizaremos aquela ''forte comoção eclesial'' como pede o Documento de Aparecida (nº 362). Comoção quer dizer estremecimento, solavanco, ímpeto, choque, sacudida.
A Palavra de Deus nos impele a abandonar a rotina pastoral, a sacramentalização, a acomodação para sermos uma ''Igreja da atração''. Superaremos a pastoral da conservação e abraçaremos com ousadia e criatividade a missão, mais ainda, ''uma Igreja em estado permanente de missão''. A Igreja cresce pela atração (DAp. 159) e quer ser uma Igreja samaritana, advogada da Justiça, companheira dos pobres, casa e escola de comunhão, servidora do Reino. A Palavra de Deus é o combustível, a força propulsora e inspiradora de todas estas expectativas. Nosso século deve ser ''o século da Bíblia'' para superar o ''século do medo''.
Neste ano eleitoral a Assembleia Geral da CNBB irá fazer uma ''Declaração sobre o momento político''. Sem dúvida será avaliado o Ano Sacerdotal, o projeto ''Ficha Limpa'', a Campanha da Fraternidade e a crise atual da pedofilia. Uma Assembleia é um pentecostes. Daí a necessidade da oração de toda a Igreja em favor dos seus pastores.
Nossa Igreja passa por tempestades, invernos e até naufrágios setoriais. Se comparar-nos a Igreja com o ''mistério da lua'', estamos numa ''fase minguante''. Eis aí uma grande chance de renovação, purificação e santificação. O Documento de Aparecida fala das ''sombras da Igreja'' onde o pecado das pessoas obscurece a santidade da Igreja. Ela sempre será santa e em permanente conversão. Na Igreja santa encontramos a Palavra santa, os santos sacramentos, o testemunho dos santos e, principalmente, a santidade de seu fundador, Nosso Senhor Jesus Cristo.
Perseguições, ódios, martírios fazem a Igreja crescer em quantidade e qualidade. As portas do mal não vencerão, pois, a Igreja é um organismo da graça, uma instituição divina, uma comunidade de fé. É a Igreja da Trindade, cujo fundamento é Jesus Cristo, as colunas são os apóstolos e a alma deste corpo é o Espírito Santo. A Igreja nunca se autodestruirá, nunca fracassará totalmente, ela é indefectível.
Voltemos ao primeiro amor, é hora de renovar a fé na santidade da Igreja e de amá-la como povo de Deus, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. É bom não esquecer a intercessão dos santos, especialmente de Maria, mãe da Igreja. Que seria de nós e do mundo sem a Igreja? Ela é o sinal do amor de Deus pelo mundo.
DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina


