ESPAÇO ABERTO
ExpoLondrina e o meio ambiente
Nunca se falou tanto em meio ambiente e ao mesmo tempo nunca se poluiu tanto. Essa foi a constatação durante um passeio familiar no último dia da 50 Exposição Agropecuária de Londrina. Estacionamentos lotados, filas de carros, filas para ingressos na entrada e no parque de diversões, comidas para todos os gostos, produtos para todos os bolsos. Com certeza, haverá bons lucros e muita gente que trabalhou no megaevento sairá satisfeita.
A preocupação com a imagem do meio ambiente se fez presente em vários espaços, desde a limpeza, as lições de educação ambiental, de culturas alternativas, tecnologias inovadoras a produtos ecologicamente corretos. A multidão, passiva e indiferente a muitas fontes de poluição, dava impressão de contentamento. Pouco parecia incomodar: a ''poluição alimentar'' preenchendo uma massa gulosa que parece ignorar o sobrepeso como um sério problema de saúde pública. A ''poluição comportamental'', na qual a excessiva exposição pessoal sobressai. A ''poluição sonora'' que isola as pessoas do ambiente real com músicas a todo volume, mistura de diferentes sons e universo barulhento das diversões. A ''poluição visual'', deixando as pessoas atordoadas com milhares de impressões. A ''poluição de segurança'', despertando preocupação pela presença de muitos guardas, videocâmeras, cercas, arame farpado, roletas, detectores de metais, controle de bolsas e constante chamados, por alto falantes, anunciando crianças perdidas e achadas. A ''poluição do consumo'' estimulando os sentidos ao extremo, quase obrigando, desde a família mais humilde até a mais abastada a gastar em excesso.
Muitas utopias influenciaram nosso mundo. Não é exagero acreditar que, com senso crítico construtivo e esforço pessoal criativo, o famoso e tradicional evento da ExpoLondrina se transformará cada vez mais num precioso ambiente de educação.
DANIEL STEIDLE é educador ambiental em Rolândia
De quem são os direitos?
Músicos, cantores, poetas, pintores, cientistas, escritores, descobridores, inventores, devem receber a paga pelo que fazem se isto for uma necessidade de vida, mas precisam saber que nada lhes pertence e que todas essas coisas se manifestam para servir à humanidade. Tudo é de todos, e nada que as mãos conseguem tocar e os olhos podem ver é exclusividade de alguém. Porque todas as coisas já estão prontas no Cosmo, bastando imaginá-las e buscá-las.
Pessoas brigam pelo direito autoral de uma música, patenteiam inventos e tentam limitar o uso deles, mas se algo é bom e as pessoas podem servir-se disso para seu bem-estar e deleite, então já está aí a virtude e o mérito, o que também é uma forma de recompensa. Ser o agente de algo que gera utilidade ou satisfação popular, mesmo que pouco ou nada se receba por isso, é o melhor dos ganhos, porque (como as pessoas dizem) o crédito fica registrado no livro dos céus.
Não há prejuízo em nada que se faça de bom. Uns têm aptidão para determinadas coisas, outros a têm para as demais, mas tudo o que se manifesta debaixo do sol deve ser para todos. Porque todas as coisas são de domínio do Universo. Se alguém estudou física, certamente captará as coisas atinentes a ela; um agricultor receberá intuição para descobertas no campo, e assim por diante. Porque tudo o que tem que ser cai no devido lugar.
Há que louvar o sacrifício do estudo e da busca, mas ninguém faz mais do que o alcance de sua inteligência, de sua vontade e do que está escrito em sua missão. Quem estudou para ser médico, com toda a certeza irá sintonizar mais facilmente o que o Universo guarda sobre remédios e estratégias de cura. Assim com quem escreve, com quem pinta um quadro, compõe um poema, enfim com quem tem inspiração para as diferentes artes e ofícios.
Deus não requereu patente das águas, do ar, do dom da vida com que nos presenteou. A vaca nada nos cobra pelo leite e nem o boi por puxar o arado, e alguns animais nos oferecem a própria vida e a carne para nos alimentarmos (e nunca pensamos sequer em lhes agradecer por isso, e nós podemos agradecer até a uma pedra). Se tivéssemos que pagar-lhes direitos autorais estaríamos endividados e inadimplentes.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina





