Nosso país passa por uma onda de ''discursos'' que, explicitamente, nos colocam de frente a atitudes governamentais e políticas aparentemente ditatoriais, o que faz surgir o alter ego do jovem fantasma fardado que nos assombrou de 1964 a 1985. Muitos estudiosos, dentre eles os professores Ives Gandra Martins e Denis Lerrer Rosenfield (UFRGS), recentemente nos alertaram sobre a possibilidade da instauração de uma ditadura comunista. Neste sentido, exponho algumas percepções pessoais que, já adianto, não são isentas de falhas, distorções e tendências.
Pressuponho que os elaboradores de projetos políticos, como o Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), são espíritos intelectualmente preparados para produzir enunciados e propostas que buscam determinado fim racionalmente aceito dentro do habitat de seus pares; segundo, entendo que algumas propostas e enunciados políticos têm uma roupagem facilmente aceita pelos espíritos mais simples, não versados em teoria retórica e quase fechados para a história social; terceiro, os planos de incentivo ao consumo criam a falsa sensação de bem-estar e sucesso que elevam os índices de popularidade do governo, aliciando sutilmente a grande massa; quarto, alguns políticos utilizam narrativas históricas novelescas para domesticar o passado e criar mitos pessoais no intuito de validar estruturas de dominação presentes.
O PNDH é uma afronta à inteligência do cidadão brasileiro e, caso seja aprovado, é um golpe inicial e certeiro em nossa democracia: utilizou a expressão ''direitos humanos'' para tentar legitimar ações contrárias aos próprios direitos humanos, pretende promover a neutralização da publicidade crítica que busca descortinar discursos aparentes e objetiva manipular a grande massa desinformada e deformada para a aceitação irrefletida do dito ''programa''.
Aliados a estes fatos, podemos ver que o filme ''Lula, o Filho do Brasil'' pode ser uma tentativa de construção de uma figura messiânica e santificada em torno da pessoa e da história do presidente da República e ter por objetivos a dominação e a conquista do poder. Neste sentido, segundo o filósofo francês Edgar Morin, a arte cinematográfica foi conscientemente usada como difusora de uma mitologia e para instalar um culto e, conforme outro francês, Michel Foucault, a história romanceada e filmada serviu aos interesses do poder e da dominação.
Também vemos que a confiança do consumidor se confunde com o prestígio do presidente Lula, que tem alto índice de confiança de 76% de ótimo/bom (segundo as pesquisas de opinião), e que o aumento do poder de compra, e não o nível cultural e educacional, propicia claramente a elevação da popularidade presidencial. Ainda, observamos o aliciamento de movimentos sociais de luta pelos direitos dos indivíduos - que poderiam ser legítimos atores sociais promovedores de emancipação - por meio da concessão de privilégios, poder e dinheiro.
Nota-se, assim, um jogo extremamente velado e sutil pela conquista do poder, pois a implantação escancarada de ideologias distorcidas não é mais de fácil aceitação pelos governados mais preparados intelectualmente, não sendo difícil desmascará-las com dois ou três raciocínios. Ora, não se condena a luta justa e democrática pelo poder, mas sim o dissimular interesse para manipular os espíritos mais singelos e, assim, domesticá-los como animais de circo. O jogo aberto, a concessão do direito de igualdade de participação no debate e o direito de proferir e receber críticas são as características esperadas daqueles que seriamente governam e se importam com todos os governados.
JOÃO TESCARO JÚNIOR é advogado em Londrina

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