Chega. Estou cansado de ler, ver e ouvir tanta bobagem a respeito de um mesmo assunto. No último domingo, o programa ''Fantástico'' perguntou se era atribuição dos pais ou dos órgãos públicos proibir o uso das ''pulseiras do sexo'': 51% responderam que era atribuição dos pais. Concordo, somente não concordo com a pergunta. Tivessem eles perguntado se o público era a favor ou contra a proibição, a resposta teria sido diferente, como aconteceu na enquete do Jornal Hoje, da mesma Globo: 56% a favor e 44% contra a proibição. O próprio Fantástico trouxe uma entrevista com jovens que diziam usar o acessório como enfeite, mesmo conhecendo seu código nefasto.
Não é preciso ser ''expert'' em educação para deduzir que a menina ''A'' vai portar o ''sex bracelet'' esperando que o mesmo seja ''rompido'' pelo menino ''B''; o menino ''C'', porém, toma a iniciativa e quebra a pulseira que sugere, por exemplo, sexo total. Eis o conflito instalado. Culpa de quem? As escolas que as proíbem não têm o problema em seus domínios. As mais ''abertas'' o tem. Conflito dentro da escola é problema da escola. Prejuízo moral e físico.
Outra coisa: às mulheres cabe dizer sim ou não trajando ou não pulseiras, porém, estamos falando de crianças de 12 anos.
Dezesseis casos de estupro em Manaus. Algumas agressões na Inglaterra, outras nos EUA. Vamos discutir ainda?
Em verdade lhes digo: aqueles que amam as crianças e adolescentes têm de lutar pela proibição das pulseiras do sexo em todo território nacional. Alguns psicólogos e pedagogos já perceberam que a geração Y - chamada digital - percebe o mundo a sua volta de modo transitório: nossos jovens de 10, 11, 12 e 13 anos estão acostumados a ''games'' onde vidas são destruídas e depois ressuscitadas; pessoas são violentadas e depois acariciadas; bichos são mutilados e depois construídos. A confusão mental sobre o que é efêmero e perene entre esses jovens, é tão forte que aqueles que têm mais de 35 anos já não mais têm capacidade de avaliar.
Já nos preocupa como será a geração Z que nasce a partir de 2010. Certamente será tão diferente das mentes analógicas de hoje que haverá um hiato, um abismo jamais visto antes entre as cabeças que tem 30 anos de diferença.
Pior ainda que as ''pulseiras do sexo'', são os games virtuais que preveem estupros, assassinatos, raptos, alta velocidade e outras loucuras (GPA). Imaginem o que é, na cabeça de um jovem de 13 anos, virtualmente você espreitar, empurrar para dentro de um carro e, depois, violentar uma jovem. No computador aparece ainda o balanço do carro promovido pela violência sexual.
Terminada a cena, o rapaz passa para um outro jogo em que ele tem permissão para matar, com requintes de barbárie, policiais e atear fogo em pedintes inocentes. E há coisa muito pior.
Enfim, vamos discutir o que estão fazendo com as cabeças dos nossos jovens? Há um deles chamado ''Counter Strike'' que é de arrepiar os cabelos. Ele já está proibido em alguns países de primeiro mundo. Temos de ter leis rígidas e botar esses psicopatas que promovem tais jogos na cadeia.
Nós, psicólogos, pedagogos e especialistas temos de ter uma postura para salvar estas crianças. Temos que ser radicais sim quando se trata da saúde mental de seres de tão tenra idade. Tenho orgulho de ter proibido no Colégio Maxi o uso das ''pulseiras da discórdia''. Não tenho medo de ser chamado de radical quando o assunto é agressão física ou mental aos nossos pequenos.
VIRGÍLIO TOMASETTI JUNIOR é diretor-Geral do Colégio Maxi em Londrina

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