ESPAÇO ABERTO
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sexta-feira, 02 de abril de 2010
Dom Orlando Brandes 
A ressurreição é triunfo da vida. O amor é mais forte que a morte. Todas as criaturas participarão da glória de Deus. A vida não é tirada, mas transformada
1. A fé na ressurreição nos livra do vazio, do nada do absurdo. Jesus ressuscitado abre as portas do futuro. O nada é derrotado, a morte é vencida. Tudo tem sentido, rumo, valor, direção. Olhemos para cima, para o alto e para frente.
2. Jesus, a vítima da cruz, o réu executado, o fracassado, na ressurreição torna-se vitorioso, glorioso. Eis que se fazem novas todas as coisas. Há esperança para os fracassados, excluídos e os fracos.
3. A ressurreição suplanta a filosofia da reencarnação, porque ressuscitar não é reanimar, não é voltar a este mundo, mas entrar na dimensão da eternidade com o corpo glorioso, espiritual, incorruptível. Lázaro quis voltar a este mundo para pagar seus pecados, mas não lhe foi concedido (Lc 16, 27-31). O bom ladrão, sem reencarnação, ouviu as palavras de Jesus: ''Hoje estarás comigo no paraíso (Lc 23, 42). Está decretado que o homem morre uma só vez'', diz a carta aos Hebreus (cf. Hb 9, 27).
4. A fé na ressurreição dá coragem aos mártires, ousadia aos apóstolos, audácia aos profetas, força aos missionários. Ressurreição é a morte da morte, derrota do mal, invencibilidade do bem, coroação do sofrimento, plenitude da evolução, continuidade da vida.
5. Pela ressurreição a própria matéria, ou seja, a criação, não é destinada à destruição, mas, à transformação. Vale a pena lutar pela ecologia, porque a ressurreição é triunfo da vida. O amor é mais forte que a morte. Todas as criaturas participarão da glória de Deus. A vida não é tirada, mas transformada.
6. Ser testemunha da ressurreição é promover a vida, saber sorrir, manifestar alegria, fazer o bem, incutir esperança e positividade, animar e consolar, colocar-se do lado dos pobres, dos enfermos, dos aflitos. O bem é imortal e a caridade nunca se acaba.
7. Encontramos o ressuscitado na Eucaristia, na Palavra, na comunidade, nos pobres, doentes, peregrinos. No céu o Ressuscitado está sentado à direita do Pai, intercedendo por nós. Ele é Rei, Senhor, Juiz ''ontem, hoje e sempre'' (cf. Hb 13, 8).
8. Jesus, no dia da sua ressurreição à tarde (cf. Jo 20, 19) nos deu grandes presentes de Páscoa: a paz, o Espírito Santo, o sacramento da confissão, o envio missionário. Com Jesus ressuscitam suas ideias, seu projeto, seu reino e principalmente a Igreja. Estas realidades não existiriam sem a ressurreição.
9. A ressurreição de Jesus é um eterno desígnio do Pai, para que todos ressuscitemos e participemos de sua glória, de sua vida, de seu mistério. Na eternidade somos esperados. A certeza do céu nos encoraja e vence toda cultura da morte. Somos seres de esperança. O mundo da morte, da injustiça, do fracasso, da lei, do pecado foi abatido e abriram-se as portas da plenitude da vida.
10. Celebremos a festa não com o velho fermento da maldade e da iniquidade mas com os pães ázimos da pureza e da verdade, diz o apóstolo Paulo. A Páscoa de 2010 é celebrada no contexto do Ano Sacerdotal, do XVI Congresso Eucarístico Nacional a realizar-se em Brasília de 13 a 16 de maio e do Ano Eleitoral. A esperança que brota da ressurreição perpassa todos estes acontecimentos e nos impele a construir a cultura da vida e a civilização do amor. Semana Santa não é apenas um feriadão, mas a descoberta de novos horizontes para a humanidade. Somos convidados a alimentar uma profunda amizade com Jesus Cristo, a estabelecer com Ele encontros e experiências que sejam decisivas em nossas vidas. A vida é feita de encontros. Nos pobres, doentes, peregrinos encontramos o Ressuscitado. O nascer do Sol, o desabrochar da flor, o sorriso de um bebê são símbolos da ressurreição. Eis o Cristo cósmico, o Cristo total.
DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina


