Não entendemos ainda


Walmor Macarini

Quando as publicações e as falas se referem a certos seres iluminados que passaram pela Terra, mencionam mais acentuadamente seus feitos terrenos, sem se aterem aos ensinamentos mais profundos que eles deixaram, em especial os de natureza transcendente. Comecemos pelas palavras de Jesus, depois Einstein e Chico Xavier, para citar apenas três exemplos.
Este último é mencionado porque celebra-se agora seu centenário de nascimento e porque foi citado em reportagem nacional da TV. De Jesus, seus milagres são as coisas mais mencionadas, porque têm relação com o fantástico, mas esta não foi a parte mais sublime de sua passagem por este mundo. Muito mais relevante foi o que nos ensinou e sua revelação de que o Reino está dentro de nós; e que aquilo que ele fazia nós também podemos fazer.
De Albert Einstein, as pessoas lembram sua Teoria da Relatividade, que ele acreditava ser uma resposta para o enigma do Universo. Mas, tanto quanto cientista, ele era um místico, que atribuía todas as suas descobertas não propriamente aos seus estudos, mas à intuição. Óbvio que para captar a voz da intuição, sobre as coisas afins, ele precisaria ter os portais pertinentes abertos, por via do que estudara. Sua sabedoria mística é um marco forte mas pouco mencionado.
''A maioria de nós prefere olhar para fora e não para dentro de si próprio.'' Palavras profundas de Einstein. E mais, ainda dele: ''Penso 99 vezes e nada descubro; deixo de pensar, mergulho em profundo silêncio e então a verdade me é revelada''. Ele era muito mais subjetivo que objetivo. ''A religião do futuro será cósmica, fora dos dogmas e da teologia'', ele proclamava, referindo-se ao sistema teológico dominante.
De Chico Xavier falou-se, na reportagem citada, de suas psicografias, das suas obras de caridade e da autenticidade das mensagens mediúnicas recebidas, porém muito mais importante foi o ensinamento que ele deixou por via das mensagens psicografadas, originárias de espíritos de grande luz, e de suas próprias palavras. Mas esses tesouros, que são o conteúdo maior de sua vida terrena, são pouco mencionados pelos veículos de massa quando se referem a ele. E nem o foram desta vez.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina




A estratégia do outro rei



Manoel Paiva



Um ‘‘­rei’’ pa­ra fa­lar de ou­tro tem de en­ten­der bem da po­si­ção que ocu­pa ou ser ou­sa­do e abu­sa­do e fa­lar de qual­quer jei­to. Co­mo já dis­se Mil­lôr ‘‘o li­vre pen­sar é só ­pensar’’ e acres­cen­to que o li­vre fa­lar é só fa­lar. Mas fa­le­mos de nos­so rei-Tor que per­ce­be­mos de per­to. Di­go per­ce­be­mos por­que es­tá au­sen­te das reu­niões de con­se­lhos su­pe­rio­res da Uni­ver­si­da­de Es­ta­dual de Lon­dri­na (UEL) faz al­gum tem­po. O per­ce­be­mos por re­mes­sa de pa­péis in­ter­nos à Ins­ti­tui­ção que ocu­pam tem­po em de­ma­sia dos con­se­lhei­ros. O per­ce­be­mos por ­meio de no­tas na mí­dia lo­cal (boa mí­dia co­mo a cha­ma) ex­pon­do o Con­se­lho Uni­ver­si­tá­rio e ­seus con­se­lhei­ros a si­tua­ções pou­co con­for­tá­veis. Mas não fa­zen­do o mes­mo ao vi­vo e em co­res no Con­se­lho. Per­ce­be­mo-lo tam­bém pe­las fo­tos on­de apa­re­ce dis­tri­buin­do pe­que­nas lem­bran­ças da UEL, di­plo­mas, inau­gu­ra­ções. Es­se é em par­te nos­so rei.
Nos­so rei, em cam­pa­nha há 4 ­anos, fa­lou da ver­go­nha que era o es­que­ma de fun­ções gra­ti­fi­ca­das (FGs) e car­gos co­mis­sio­na­dos (CCs) na UEL, que sua an­te­ces­so­ra te­ria fei­to quan­do do exer­cí­cio de­la, dis­se que ­iria fa­zer uma au­di­to­ria das FGs e CCs pa­ra mo­ra­li­zar a UEL. Até ago­ra não acon­te­ceu! Fa­lou tam­bém da ver­go­nha (!) que era a Ca­sa do Es­tu­dan­te cons­truí­da no cam­pus. Nos­so rei, que con­se­guiu a an­ti­pa­tia es­tu­dan­til por con­ta de cons­truir um mu­ro em vol­ta da UEL, não cons­truiu pro­te­ção al­gu­ma on­de ex­pe­ri­men­tos agrí­co­las são fur­ta­dos!
Nos­so rei-Tor, ao ser achin­ca­lha­do pe­lo al­cu­nha­do rei do Pa­ra­ná, em reu­nião pú­bli­ca e te­le­vi­sa­da pe­la Pa­ra­ná Edu­ca­ti­va (na Es­co­li­nha de Go­ver­no) sen­do de­nun­cia­do por pre­ten­sas ati­vi­da­des ir­re­gu­la­res, fi­cou su­bi­ta­men­te ca­la­do na pri­mei­ra fi­la. Nos­so rei ago­ra tem so­nhos e de­se­jos de jun­tar-se ao ar­qui­pé­la­go de be­ne­fi­ciá­rios par­la­men­ta­res e le­gis­lar pa­ra o po­vo. Nos­so rei, que en­ten­de a po­si­ção do ou­tro (rei) e ­quer ser me­lhor do que ele, pre­ten­de ocu­par po­si­ções se­me­lhan­tes ao seu su­pe­rior. Ao nos­so rei, lem­bra­mos que so­mos elei­to­res de boa me­mó­ria!
MANOEL RONALDO CARVALHO PAIVA é biólogo e professor na Universidade Estadual de Londrina

mockup