ESPAÇO ABERTO
Monumento do centenário pede socorro
Celso Antônio Rossi
No ano 2000 Jacarezinho comemorou o 1º centenário de sua emancipação política com a realização de muitos eventos. Na época fez-se o possível para que o acontecimento não passasse despercebido para a comunidade. E com esse intuito foi criada a Comissão do Centenário que tinha como uma de suas finalidades criar um marco que registrasse a data. E foi assim que se contatou o artista plástico Roney W. Erthal, que fora aluno do mestre Poty Lazarotto e que aceitou realizar gratuitamente um painel de azulejos que contaria, através de sua pintura, a história de Jacarezinho.
O trabalho artístico foi realizado graças à parceria com uma empresa, que cedeu os azulejos e realizou a sua queima, e ainda o apoio da Secretaria da Cultura de São José dos Pinhais, que cedeu as instalações para a realização da pintura. Imaginava-se que ele se perpetuaria no tempo!
O trabalho retrata o início da colonização do município com a chegada dos pioneiros, dentre eles o primeiro padre e o primeiro médico da cidade. Em seguida é representada a chegada das famílias e dos lavradores observando-se as fases da semeadura e da colheita, o ciclo do café e da cana-de-açúcar, que marca a agricultura de Jacarezinho nos dias atuais. O painel mostra ainda a agroindústria e algumas características marcantes de Jacarezinho, como as andorinhas que daqui fazem sua rota de passagem e o Morro do Cruzeiro. Também o teatro, a dança, a música e o carnaval, aspectos culturais da cidade, são ali mostrados.
O belo painel com cem metros de comprimento por dois de altura, considerado uma das maiores obras murais do Estado do Paraná e que deveria ser motivo de orgulho e do cuidado de todos, foi implantado no muro da Faculdade de Filosofia, logo à entrada da cidade. Embora sem registro no local, era ele o marco do centenário de Jacarezinho.
Menos de 10 anos depois, ele praticamente deixou de existir. Aliás, ele já vinha sofrendo deterioração: grafiteiros pichavam-no, vândalos atacavam-no, alguns buracos para escoamento de água foram feitos, procedeu-se a retirada de muitos azulejos sabe-se lá por que e para que, tudo indicando que não havia o cuidado que deveria existir com aquele importante monumento.
Por fim, com as chuvas de dezembro e sem que se cuidasse do escoamento de água pluvial, uma parte do mural desmoronou-se. Culpa de quem? Da natureza ou das obras que se realizaram dentro daquele terreno, com movimentação de terra sem o cuidado necessário? Do poder público que não zelou pelo importante trabalho? Da direção da faculdade? Difícil apontar qual ou quais os culpados. Mas eles existem, com certeza.
Mas o triste mesmo é ver que o painel de azulejos não existe mais por estar parcialmente mutilado! Mais triste ainda é que continuam a se realizar obras no local destruindo-o a cada dia mais. Um lugar que não preserva sua história não pode pensar em um futuro consolidado em raízes.
Reconstruir o Painel é uma obrigação do Poder Público! E reimplantá-lo em uma praça pública onde possa ser visto e apreciado por toda a população é indispensável!
Que os responsáveis por aquele patrimônio histórico e cultural de Jacarezinho se movimentem em sua recuperação. Esta cidade sempre foi conhecida pelo seu valor cultural. Não se pode deixar que a omissão de alguns empane a sua tradição.
CELSO ANTÔNIO ROSSI é advogado e professor emérito da Faculdade Estadual de Direito do Norte Pioneiro em Jacarezinho
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