Neste governo municipal nenhum ato de grande relevância e que envolva o interesse coletivo será realizado sem um amplo debate com a comunidade


A administração do prefeito Barbosa Neto é voltada, prioritariamente, ao atendimento dos interesses da maioria absoluta da população, sem concessão de interesses particulares. Foi assim na reforma do Calçadão da Avenida Paraná e na retirada dos quiosques instalados no local que remontavam dívidas junto aos cofres públicos de mais de R$ 100 mil. Também no caso dos mercados municipais, onde a situação comporta ainda mais anomalias. Há comerciante que paga pouco mais de R$ 80 de aluguel mensal. Não se pode permitir que um bem público da natureza de um mercado municipal seja explorado pela iniciativa privada com valor tão irrisório. Também no caso dos ambulantes da calçada do Terminal Urbano, onde a Prefeitura teve que agir com firmeza para garantir a acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência.
O município não pretende vender o patrimônio público, o que se cogita sempre é corrigir as distorções, otimizar os espaços em favor de oferecer à população os melhores serviços públicos possíveis. Sobre o Estádio Vitorino Gonçalves Dias (VGD), não será diferente. Em nenhum momento o prefeito manifestou a intenção de vender o estádio. Neste governo municipal nenhum ato de grande relevância e que envolva o interesse coletivo será realizado sem um amplo debate com a comunidade.
Independente da decisão final sobre o VGD, é preciso jogar um foco de luz sobre o tema. Segundo laudos técnicos, elaborados por empresa de engenharia credenciada, a estrutura física do Vitorino Gonçalves Dias está com elevado nível de deterioração, situação que determinou a sua interdição definitiva para a realização de eventos esportivos com a participação de público nas arquibancadas.
Não é possível transformar o VGD em ''Arena do Tubarão''. É um local acanhado. Há pouco espaço para expansão de sua estrutura física. Hoje sua capacidade de lotação é de apenas nove mil torcedores, número que poderia ser elevado para no máximo 15 mil pessoas, número ainda insuficiente para atender às exigências da Federação Paranaense de Futebol, em mandos de jogos do Campeonato Brasileiro que é de 20 mil torcedores.
A Prefeitura não tem recursos para modernizar o Vitorino. Para o pagamento de água, luz e limpeza, o município já o faz com sacrifício, sob pena de não sobrar recursos para custear a sua reivindicada modernização ou seu resgate histórico.
A administração já mostrou se, por sua vez, defensora do Patrimônio Histórico de Londrina. Em Conferência Pública, realizada no início deste ano, submeteu a aprovação do projeto de Lei de Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural de Londrina, cujo documento está sendo encaminhado à Câmara de Vereadores.
Esta gestão também deu a melhor destinação possível ao antigo Cadeião da Rua Sergipe. Apesar de ter sido desativado em 1994, só agora aquele patrimônio está sendo restaurado, com a preservação de suas características originais, para convertê-lo, com o apoio do Sistema Fecomércio (Sesc, Senac e Sebrae), num grande centro cultural dotado de auditório, biblioteca, salas para oficina e cursos, entre outros. Também está sendo revitalizada a rua Sergipe, uma antiga reivindicação dos lojistas.
O modelo moderno de administração pública não comporta excesso de paternalismo, como o de jogar as despesas dos espetáculos privados, mesmo em nome e a favor do esporte, nas contas da Prefeitura. Ninguém pode, portanto, acusar o município de usar recursos públicos para custear os espetáculos do mundo privado do futebol. Hoje a tendência é que os grandes clubes esportivos sejam emancipados.
JOSÉ OTÁVIO SANCHO ERENO é coordenador do Núcleo de Comunicação da Prefeitura Municipal de Londrina

mockup