ESPAÇO ABERTO
Auxílio-doença a menor dependente
Elaine Cristina Reis
Foi aprovado, pela Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público (CTASP) da Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei 2.714/07, que cria o auxílio-doença para menor dependente e autoriza a falta do trabalhador quando fizer jus a esse benefício. Em outras palavras, quando o dependente menor de 18 anos estiver internado em hospital ou sob tratamento médico que, mesmo em casa, exija cuidados especiais em virtude de risco de morte, o projeto visa garantir ao trabalhador os mesmos benefícios concedidos hoje a título de auxílio-doença, beneficiando os empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
O projeto mantém a previsão de que os primeiros 15 dias de afastamento do trabalho serão pagos pelo empregador, e a Previdência Social pagará a partir do 16º dia de afastamento. A comprovação da doença do dependente se fará por meio de atestado médico, e eventuais fraudes para recebimento do benefício poderão causar demissão por justa causa.
A Comissão de Seguridade Social e Família ainda avaliará o projeto e será competência da Comissão de Trabalho analisar os possíveis reflexos da adoção da medida para os trabalhadores. O deputado Edigar Mão Branca (PV-BA), relator do projeto, proferiu voto favorável à aprovação, destacando que, ''segundo os princípios norteadores do Direito do Trabalho, todo e qualquer benefício que se institua em prol do trabalhador será sempre bem-vindo''.
Realmente, o projeto tem cunho social e beneficiará o trabalhador que se encontra em situação familiar de doença, sendo que, em contrapartida, gerará um ônus para a Previdência, que inicia o ano em situação delicada. Quanto às empresas, a despesa extra gerada pelo projeto se refere ao pagamento dos primeiros 15 dias de afastamento que, igualmente ao afastamento por auxílio-doença, será financiado pelos empregadores. O projeto tramita em caráter conclusivo, aguardando a análise das comissões de Seguridade Social e Família; de Finanças e Tributação; de Constituição e Justiça e de Cidadania.
ELAINE CRISTINA REIS é advogada trabalhista em São Paulo
Por via das dúvidas...
Walmor Macarini
Os maias nunca disseram que em 2012 o mundo iria acabar, mas se pensamos que isso irá acontecer, é prudente, por via das dúvidas, abandonar a obcecada materialidade e nos sintonizarmos com as práticas solidárias e espirituais, e assim afastar o medo e a insegurança. Como não temos certeza para onde iremos na passagem desta para outra, não sabemos se nesse lugar existem flores, então é bom contemplá-las agora, inclusive aquelas nunca notadas.
Não sabemos se iremos ver as estrelas, então temos de aproveitar o tempo e ver que elas existem e piscam em flerte conosco. Vamos contemplar o dia e ver que à noite o sol se vai, mas a lua chega para manter iluminados os nossos sonhos. É oportuno respirar fundo o oxigênio e agradecer por haver mantido vivo nosso corpo físico.
Resta pouco tempo para cumprir promessas esquecidas, pedir perdão e perdoar, pois isso vem sendo adiado ou nunca foi pensado. Não faz diferença se não fomos ricos quanto o vizinho, então melhor é varrer da mente aquela inveja que tem nos corroído. Faz-se urgente observar as cores de todas as coisas e assim descobrir que o mundo é cheio de belezas, até aqui não percebidas. Aprisionados por muitas ambições e disputas, não temos nos alegrado pelo sucesso alheio, então será interessante experimentar que sabor tem essa alegria. Quem sabe no outro lado seja costume partilhar as coisas e os louvores! Já que a soberba não terá nenhuma serventia neste mundo que vai acabar, urge dar um alô para aqueles que magoamos e pedir-lhes desculpas.
Se temos remunerado mal nossos ajudantes, é hora de resgatar isso de alguma forma ou ao menos reconhecer como eles contribuíram para o nosso enriquecimento. E estes que se lembrem de que o lugar onde trabalham têm lhes dado o sustento e a segurança. Quem sabe, no lugar para onde iremos depois de extinto o mundo, seja hábito cultivar o amor, a camaradagem e a justiça, e como faremos se não soubermos exercer essas práticas? Já que nada há a perder, é tempo de fazer coisas mais ousadas, ao menos para conhecer nosso potencial não testado. E se, depois de tudo isso, o mundo não acabar, terá ficado tão lindo e tão bom que ninguém quererá que volte ao que era.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina





