'O verdadeiro rei, que deve ser um líder exemplar, é aquele que não engana, não profana e sabe que nunca deve comer semente de mamona'






Enganam-se os que acreditam que a briga motivada pelo rei contra o ministro tem algo de defesa coletiva, preocupação com o emprego de recursos públicos e com a população do Paraná. Não tem! O rei, mais uma vez, estrategista que é, tem a dura missão de chegar ao Senado para assegurar sua imunidade parlamentar, protegendo-o das inúmeras ações do Judiciário, que são muitas e de altos valores indenizatórios para diferentes pessoas. Pilhas e mais pilhas de processos aguardam avidamente o retorno do rei como cidadão normal para responder pelas ''sutis palavras e carinhosos apelidos'' que impõe aos seus adversários em seus discursos.

O rei empurra o partido vermelho para outra aliança que não o atrapalhe para voltar a Brasília, próximo de seus 70 anos de idade, o que também lhe dará mais imunidade e conforto: poderá fumar seu charuto cubano e tomar seu uísque escocês com tranquilidade. Poderá desfrutar inclusive de mais mordomia junto aos entes queridos que lá já residem, como figurantes e assessores, à custa do dinheiro público.

Em toda sua carreira, a eloquência do rei sempre foi usada de maneira retórica, piegas, pseudoinclusivas e com falsas falas de cunho eclesiástico, denotando sempre ser um defensor das classes menos favorecidas. O rei não é assim. Não mesmo! Discursa, se irrita e esbraveja, manifestando um cacoete incorrigível com constantes cãimbras no ombro esquerdo, sinais clínicos de fragilidade, insegurança e falta de autocontrole. Todavia, a qualidade que mais se destaca no rei é o egoísmo. O rei é sim extremamente egoísta. Está empurrando os outros partidos para uma união que não lhe propicie árdua competição; que não lhe exija gastar muito dinheiro rumo ao Planalto Central; que não precise pedir os aviões e os helicópteros emprestados para viajar em campanha pelo Paraná.

O rei também tem medo. A cada dia que passa o temor e o pavor de não ser eleito deixa o rei irritado de dia, e prostático de noite. O navio está à deriva, com muitos problemas de dragas e drogas ainda a serem resolvidos. As penitenciárias estão repletas e os investigadores e policiais são usados como mão de obra administrativa. As escolas, conforme a boa mídia, aprovam as crianças sem a devida qualificação.

Há mais egoísmo ainda porque o rei também precisa garantir o retorno e permanência do irmão no Tribunal de Contas, até agora sem resolução. E tem o sobrinho que quer ser deputado federal e servir o rei como um vassalo também lá em Brasília. Tudo em família. Uma autêntica demonstração para perpetuar, ainda mais, o nepotismo que reinou neste governo por muitos anos. Um desafio e afronta ao nosso Judiciário.

Hora de fechar para balanço. Ou seria concordata? Hora de lembramos da tarifa dos pedágios; das falsas estradas da liberdade; da cruel reforma administrativa imposta às universidades, incluindo a nossa Universidade Estadual de Londrina (UEL); do desrespeito para com a comunidade de bem da Unioeste de Cascavel; das não reintegrações de posse em terras produtivas; do batismo nominal referenciando guerrilheiros nas estações experimentais agropecuárias griladas; e tantas outras mentirosas falas.

Hora de não esquecermos os altíssimos índices de criminalidade em Londrina; das usinas impactantes do rio Tibagi; das concessões ambientais ''caneteadas''; das estranhas estações de tratamento de esgoto e das excessivas verbas gastas com a imprensa oficial, disfarçada de prestação de contas à comunidade.

Pobre população que se render a mais essa enganosa estratégia. Abram os olhos classe política. Abram os olhos população. O verdadeiro rei, que deve ser um líder exemplar, é aquele que não engana, não profana e sabe que nunca deve comer semente de mamona.

WILMAR MARÇAL é reitor da Universidade Estadual de Londrina

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