'A festa do dia da mulher tem em Zilda Arns um exemplo da autêntica realização da emancipação da mulher'






Dia 8 de março é Dia da Mulher. Nas Escrituras, na história da Igreja, na sociedade e em qualquer profissão temos mulheres marcantes, especiais, extraordinárias. Mais da metade da humanidade é do sexo feminino. Então, a promoção da mulher é um bem para toda a sociedade. Homem e mulher devem ser aliados, companheiros, parceiros, complementares. Neste assunto estamos superando tanto o machismo como o feminismo radical. É hora de ultrapassar o jeito competitivo pelo jeito cooperativo da convivência entre o homem e a mulher.

Neste Dia Internacional da Mulher, a Pastoral da Criança, a Igreja e a sociedade prestam homenagem a uma mulher tão humana e tão cristã, a dra. Zilda Arns. Ela cativou o mundo pelo seu jeito de ser mulher, de ser cidadã e de ser cristã. Um clima de orfandade ainda paira entre nós pelo falecimento da dra. Zilda e, ao mesmo tempo, brota em nossos corações sentimentos de admiração e de gratidão por sua pessoa, sua fé e sua competência.

Ela brilhou e aqueceu o mundo com a luz do seu amor maternal, sua coragem inaudita, sua fé e religiosidade ecumênica e sua invejável sabedoria. Nela fomos agraciados com o verdadeiro feminismo e o verdadeiro cristianismo. Ela realizou plenamente a grande proposta da economia solidária porque acreditou no pobre, na solidariedade, no soro caseiro, na multimistura. Uma nova economia é possível.

Há mortos que continuam a falar por meio de seu testemunho e de suas boas obras. O sorriso e a coragem profética da dra. Zilda ainda falam. Vemo-la discutindo com os grandes e embrenhada no interior da Amazônia e entrando nos barracos das favelas. Sempre nobre e sempre com os pobres, convidando-nos à partilha, à solidariedade e, principalmente, ao amor fraterno. Nela a fé se manifestou nos gestos de amor aos mais pequeninos. Parece que cada um de nós gostaria de possuir um pouquinho da fé, do amor e do humanismo atestado pela fundadora da Pastoral da Criança e da Pessoa Idosa.

Zilda Arns realizou sonhos que também são nossos. Sonhos de toda a humanidade. Todos sonhamos ser bons e ser dedicados aos outros. As pessoas que realizam estes sonhos são para nós um paradigma. Encontramos um pouco de nós mesmos nestas pessoas. Elas se tornam um arquétipo, um modelo, um ideal.

A festa do dia da mulher tem em Zilda Arns um exemplo da autêntica realização da emancipação da mulher. A Comissão Episcopal para a Vida e Família deve à dra. Zilda uma gratidão especial porque ela sempre se posicionou contra o aborto e discordava cientificamente dos dados oficiais a respeito da mortalidade materna, forte bandeira dos defensores do aborto como direito humano. Como médica, defendeu a fecundação como momento da origem da vida humana. Ali já está a criança. Por isso, tanto ajudou as mães grávidas. A Pastoral da Criança já começa na fecundação, no respeito pelo embrião dotado de dignidade, porque ali já está uma criança, um filho.

Encontramos na dra. Zilda o amor feito ação, a fé convicta, o sorriso terno, a ciência médica, o coração de mãe, a educadora do bem, da justiça e da verdade. Pessoas assim comovem e movem o mundo. Ela soube unir serviço e alegria, sabedoria e simplicidade, enfim, aproximou ricos e pobres na esperança de um mundo novo. Morreu como viveu. Há pessoas que me perguntam: o que podemos fazer pela beatificação da dra. Zilda? Tal foi o impacto que ela deixou no coração das pessoas e no mundo.

Mais uma vez registramos suas últimas palavras: ''Como os pássaros cuidam de seus filhos ao fazer o ninho no alto das árvores, longe dos predadores, ameaças e perigos e mais perto de Deus, deveríamos cuidar de nossos filhos como um bem sagrado, promover o respeito a seus direitos e protegê-los''. A tarefa agora é nossa. A vida em primeiro lugar e desde o início até seu fim natural. Criança e o idoso são as vítimas da cultura secularizada e de determinadas ideologias radicais que em nome dos direitos humanos defendem o direito de matar. A vida é o bem primário e fundamental, é o fundamento de toda a sociedade e de toda verdadeira política.

DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina

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