O PNDH-3
Paulo Afonso Magalhães Nolasco

A sigla propriamente já é difícil de ser lembrada. O citado decreto 7.037 de 21 de dezembro de 2009, de leitura não das mais fáceis, é muito abrangente. Criou o Programa Nacional de Direitos Humanos.
Pretende ele mexer com todo o ordenamento pátrio. Vai alterar a Constituição se deixarmos ele viger como está sendo apresentado.
Sugere ele, entre outras questões, a desconsideração de princípios básicos da democracia, entre os quais o exercício do direito de propriedade.
Quanto a este tópico, o direito de propriedade, grande parte da população imagina que se altere apenas no que toca a propriedades rurais, o que não é verdade. Atinge também propriedade urbanas. Busca da ''verdade histórica sobre a repressão'' é apenas um dos tópicos sobre o qual trata o documento contra o qual já se insurgiram os militares, diretamente interessados nesta questão.
Mas nós, cidadãos civis e sujeitos aos ditâmes constitucionais, devemos atentar também para as profundas alterações que ocorrerão caso este decreto cumpra seu objetivo. São linhas gerais no decreto que sugerem a criação de leis e instrumentos outros que vão impor, se entrarem em vigência, alteração de grande monta nos instituitos jurídicos hoje vigentes, que se não são os ideais, ao menos são democráticos ou procuram respeitar a democracia.
Vão-se embora a democracia representativa, o Poder Judiciário, que sabemos não é o ideal, mas tem sólidas fundações e a liberdade de imprensa, esta prejudicada por determinações do decreto sobre procedimentos, etc.
Todos devem conhecer o teor deste decreto 7.037 de 21 de dezembro de 2009, especialmente porque toca diretamente na vida de todos os cidadãos e vai alterá-las profundamente.
Em seguida, todos devemos tomar posição em favor da democracia a duras penas devolvida a nosso povo, exigindo um posicionamento claro e respeitoso em relação à Constituição Federal.
PAULO AFONSO MAGALHÃES NOLASCO é advogado em Londrina



O amor sem medidas

Walmor Macarini

O amor de que tanto se fala não é apego e não é paixão, mas um estado de sublimação, que impera sem esforço e sem deliberação. É espontâneo, independe de avaliação analítica e transcende os sentidos, porque brota do profundo da essência. É incondicional e gratuito, porque não exige compreensão nem contrapartida. Acontece sem prévia decisão. Não precisa necessariamente manifestar-se por palavras, gestos, ações, embora também possa expressar-se por essas maneiras. É sutil e não tem medidas.
Amor é não revidar com violência se nos ferem; é ausência de ego, é saber todos como iguais; é compadecer-se da dor alheia. Amor é um estado de nada e de não perceber que o estamos exercendo; é não emitir conceito e não tirar conclusões. Amor pode ser simplesmente silenciar e compreender.
Amor é um estado de contemplação, de perene reverencia, de compreensão de todas as coisas, de unificação. Amor é comunhão com Deus, é sentir-se integrado no Todo; é a consciência expressando-se, é cada ser compreender-se em sua dimensão vertical, é ausência de limitações. Amor é amálgama, unindo Terra e céus e todos os seres e todas as coisas.
Amor é não impor sofrimento e dano às pessoas e às coisas vivas deste planeta, é agradecer pela dádiva da vida, é conectar-se com a mente do Universo. Amor é extrair o aspecto positivo das pessoas e dos acontecimentos, mesmo que tristes; é o homem, como ser essencial, saber-se uno com a Suprema Criação. Amor é pureza e inocência, é amar também os inimigos - e esta é a parte mais difícil, porque é fácil amar os bons e os amigos.
Amor é amar a si mesmo, é sentir-se envolvido no entrelaçamento cósmico, como uma grande família universal e fundido na energia da Mente Divina. Amor é poder, porque tem origem na Grande Fonte. Amor não é apenas enxugar as lágrimas alheias, mas não provocá-las nos outros pelo ferimento. Amor é saber que compomos Deus e que somos eternos.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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