Rebelião anunciada
Wilson Francisco Moreira
A mais recente rebelião ocorrida na Penitenciária Central do Estado demonstra a falta de planejamento e o descaso com o sistema penitenciário por parte do governo.
Desde o ano de 2001, quando ocorreu a última rebelião na PCE, policiais militares foram deslocados para colaborar na segurança da unidade junto aos agentes penitenciários. Era pra ser provisório esse apoio, pois a penitenciária seria reformada e as condições estruturais melhoradas.
O problema é que a esperada reforma nunca passou de reparos superficiais e o prédio antigo continuou sem condições efetivas de segurança, tanto para presos como para agentes. A situação foi ''sendo levada'' e os policiais foram ficando...
No último dia 12, os policiais foram removidos para o atendimento das ligações do 190, já que o contrato dos civis que prestavam esse serviço foi encerrado. O Sindarspen, sindicato dos agentes penitenciários, antes da saída dos policiais já havia alertado sobre a possibilidade de rebelião (inclusive oficiando a OAB do Paraná), já que não havia condições de trabalhar sem o apoio da PM. Tornou-se impossível, pelas condições do prédio, trabalhar sem armas adequadas para conter os presos se necessário. Infelizmente aconteceu o que prevíamos.
Várias vezes vimos e ouvimos o anúncio de verbas para a reforma da PCE, no entanto nunca se concretizou de fato. Os mais de 1500 presos continuaram convivendo num local insalubre e inseguro, inclusive sem vários direitos estipulados na Lei de Execuções Penais. Os agentes penitenciários não tinham condições de fazer as revistas periódicas nas instalações, de liberar os presos ao sol sem o apoio dos policiais. O número de agentes é muito inferior ao necessário.
A improvisação no serviço público tem se tornado um grande mal. A falta de planejamento tem gerado graves problemas nos setores de saúde, educação e segurança. Infelizmente nada diferente se vislumbra no horizonte, apenas as ínfimas indignações dos que sofrem as consequências. Enquanto vemos a falta de segurança, de educação e de saúde vamos vivendo ''reféns'' dos governos e seus ''planos''.
WILSON FRANCISCO MOREIRA é agente penitenciário e sociólogo em Londrina



As razões das tragédias

Walmor Macarini
É muito penoso para a humanidade assistir a tragédias como a que acaba de ocorrer no Haiti, mas - dolorosas que sejam - elas não acontecem por acaso. Turbulências do gênero estavam previstas para esta idade de transição, e elas estão acontecendo. Não se sabe o que ainda virá, mas tais fenômenos são os sinais do anoitecer de um tempo, para a seguir abrir-se o clarão de um novo amanhecer, que será radioso.
Terremotos, tsunamis, erupção de vulcões, tempestades, inundações, descompassos humanos, não são apenas resultados das negligências do homem com o ambiente, com suas ganâncias e as vibrações negativas das mentes, mas também alterações do sistema galático e a abertura de canais que estão despejando sobre o planeta vigorosas correntes de energia. Elas restauram mas também agitam.
A Terra compõe o sistema universal e essas revoluções cósmicas a atingem, assim como atingem toda a vida planetária, aí incluídos os seres vivos. Episódio como o do Haiti, que gerou milhares de mortos, feridos e desabrigados, é também um carma coletivo, que ocorre simultaneamente. Este é um processo de purificação. Doravante as coisas que estão dentro do tempo ganharão grande aceleração.
No caso do Haiti, a comoção e a pronta ajuda de todos os povos da Terra estão também liberando sentimentos de solidariedade latentes em todos os indivíduos, e isso contribui para a limpeza da densidade que impera tão fortemente nestes tempos. Ocorre um lampejo de despertar das consciências (inclusive sobre a negligência de não haver dado atenção antes àquela gente), ao tempo em que vibrações de amor ao próximo inundam a atmosfera.
A Sabedoria Divina sabe porque certas coisas têm de ser assim tão drásticas. Não se pode indagar ''onde estava Deus'' nessas horas, porque a resposta é que Ele estava lá, no cenário dos acontecimentos. Estes são também exames pelos quais todos os coirmãos terráqueos passam, e a aprovação atesta-se pelos gestos de socorro, de orações, de sentimentos e de lágrimas derramadas.
Se cada qual tem suas missões e cumpre o destino que traçara antes de aportar neste planeta (porque seu espírito é preexistente ao corpo físico), é dever de todos ajudarem-se nessas travessias. Por todas essas coisas é que nos encontramos neste campo de provas da dimensão terrena.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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